Dos quatro golpes de Estado que ocorreram em 2010, um teve sucesso. No Níger, as forças militares, lideradas pelo Coronel Salou Djibo derrubaram o Presidente Mamadou Tandja, a 18 de Fevereiro. Numa reacção ao derrube ilegítimo do governo no Níger, a UA suspendeu a participação do país na organização, logo no dia seguinte ao golpe. Em Madagáscar ocorreram duas tentativas de golpe contra o Presidente Andry Rajoelina – que também chegou à liderança do país através de um golpe militar, em Março de 2009. Já a Guiné-Bissau testemunhou a quarta tentativa de golpe, no espaço de três anos.

Duas áreas de conflitos, inter-relacionados, muito violentos e por vezes transfronteiriços continuam a caracterizar a África Subsaariana (Heidelberg Institute for International Conflict Research, 2010). Na primeira área, que abrange a Nigéria7, o Chade, o Sudão, a Etiópia e a Somália, a maioria dos conflitos continua a ser marcada por uma grande violência. A segunda grande área de conflitos inclui os Estados da região dos Grandes Lagos: Burundi, Ruanda, Uganda, República Centro-Africana e República Democrática do Congo. Nesta região, a tendência para os conflitos ultrapassarem fronteiras aumentou – um grupo rebelde do Burundi recomeçou as actividades no leste da RD Congo, e o Lord’s Resistance Army, do Uganda, continuou muito activo no Sudão, na RD Congo e na República Centro-Africana.

A África Subsaariana, a exemplo do que sucedeu nos anos anteriores, foi a região com mais operações de manutenção de paz da ONU (6), administradas pelo Departamento de Missões de Manutenção de Paz (DPKO). A missão de manutenção da paz na RDC (MONUC) foi a maior missão até 2010, tendo passado, nesse ano, a Missão de Estabilização da ONU na RD Congo (MONUSCO) com uma redução do contingente de 2.000 soldados. As outras missões da ONU no continente são: Costa do Marfim (UNOCI), desde 2004; República Centro-Africana e Chade (MINURCAT), desde 2007; Sudão (UNMIS), desde 2005 e Libéria (UNMIL), desde 2003.

Para além de missões de paz, a comunidade internacional aplicou sanções com o objectivo de manter ou restaurar a paz e a segurança. Em 2010, a ONU manteve seis comités de sanções relativos à África Subsaariana (Costa do Marfim, RD Congo, Libéria, Ruanda, Somália e Sudão), menos um do que em anos precedentes – o comité relativo à Serra Leoa foi encerrado. Foi, contudo, imposto um embargo de venda de armas e restrições à circulação à Eritreia, sancionando o seu apoio a militantes anti-governamentais na Somália.

Em 2010, a União Africana envolveu-se em duas missões activas: a AMISOM, na Somália, e a missão híbrida ONU-UA no Darfur (UNAMID), com o apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). A AMISOM acabou por transportar, pela primeira vez, o conflito da Somália para o Uganda, um dos países com maior número de tropas na missão. O grupo Somali Al-Shabaab reivindicou dois atentados simultâneos que ocorreram na capital Ugandesa, a 11 de Julho, que causaram mais de 80 vítimas mortais.

A NATO, além de apoiar a UNAMID, lidera a operação contra a pirataria ao largo do Corno de África. Apesar dos seus significativos esforços, de acordo com o National Geospatial Intelligence Agency´s Maritime Safety Portal, a pirataria na região aumentou muito nos últimos anos, de 146 ataques de piratas contra embarcações, em 2008, para 376, em 2010. O raio de acção dos piratas estende-se agora da costa de Oman à Tanzânia, quase chegando às Maldivas. O pedido de resgate médio passou de 150 mil USD, em 2004, para 5,4 milhões, em 2010. Em 2009, foram pagos cerca de 177 milhões de USD em resgates a piratas somalis. Este total subiu para uns estimados 238 milhões de USD em 2010 (Bowden, 2010). Bowden (2010) estima o custo anual global da pirataria entre 7  e 12 mil milhões de USD, incluindo 2 mil milhões para cobrir as operações militares internacionais em redor do Corno de África. Estes custos representam menos de 0,1% do comércio mundial (Chalk, 2008), mas alguns países africanos têm de suportar elevados custos. O Egipto, por exemplo, foi afectado pela redução do tráfego, causado sobretudo pela pirataria. Estima-se que as receitas do Canal do Suez caiam de 5,1 mil milhões de USD, no ano fiscal de 2008, para 3,6 mil milhões, em 2010, um decréscimo de 30% em dois anos (Wasser, 2009). Bowden (2010) estima o custo anual que o Egipto paga por causa da pirataria somali em 642 milhões de USD, sendo o valor para o Quénia de 414 milhões de USD.

Para além destes custos directos dos conflitos, muitos países africanos serão, muito provavelmente, confrontados com as gravosas consequências da escalada dos conflitos na Líbia e na Costa do Marfim. A guerra civil líbia causou um aumento adicional dos preços do crude, afectando negativamente os países importadores. Os conflitos na Costa do Marfim, que vêm já desde 2002, têm um impacto negativo nos seus vizinhos sem acesso ao mar, como o Mali e o Burkina Faso, que dependem historicamente do porto de Abidjan para o seu comércio. Com o regresso da violência à Costa do Marfim, os dois países sofreram o aumento dos preços dos produtos importados.