Governação política
O ano de 2010 ficou marcado pelo recrudescimento dos protestos civis, com origem naquilo que muitos africanos sentem como injustiças, tanto em termos económicos como em termos mais globais. No entanto, apesar do aumento dos protestos públicos, tem vindo a registar-se uma diminuição de respostas governamentais violentas e de medidas restritivas da actividade política (limitações à liberdade de imprensa, proibição de manifestações, etc.) desde 2009. A resposta governamental tem sido muito menos violenta do que em 2008. A Freedom House, porém, continua a classificar vinte e um países africanos como «não livres».
Em 2010, tiveram lugar eleições pacíficas em 13 países. As eleições presidenciais na Guiné, que puseram fim à crise institucional gerada pelo golpe de Estado em 2008 e o pacífico referendo constitucional realizado no Quénia foram marcos importantes, após a violência pós-eleitoral de 2008. A crise e a violência generalizada na Costa do Marfim, após a polémica eleição presidencial, em Novembro, constitui-se como o ponto mais negativo.
O primeiro trimestre de 2011 foi um dos mais turbulentos da história do continente africano. Na Tunísia e no Egipto, levantamentos populares pacíficos enfrentaram regimes autoritários. Na vizinha Líbia, os protestos acabaram por levar a uma situação de guerra civil e à intervenção militar da comunidade internacional. Não é fácil prever o que vai acontecer nestes três países, e nos países vizinhos, ou quais serão as repercussões para além do Norte de África.
O ano de 2011 será marcado por um número recorde de actos eleitorais, com 28 eleições a nível nacional, em 20 países. Um importante acto eleitoral foi o referendo no Sul do Sudão, em Janeiro último, onde se decidiu pacificamente a separação do Norte do Sul do país, que entrará em vigor em Julho de 2011.
Este capítulo leva em conta os acontecimentos do início de 2011 para descrever o panorama político da África em 2010. A análise é baseada num conjunto de dados que abrangem a tensão civil nos últimos 15 anos na forma de greves, manifestações, vítimas de violência por parte de agentes não governamentais. Também leva em conta as respostas do governo sob a forma de violência, as detenções, as proibições, toques de recolher e os estados de emergência como medidas de repressão, bem como o levantamento dessas proibições, liberações de presos políticos e outras medidas de conciliação em 25 países Africanos1. Ver metodologia do anexo estatístico para mais detalhes. A análise também é baseada nas medições de liberdade e democracia da Freedom House e Repórteres Sem Fronteiras.
Useful links
- African Development Bank
- OECD Development Centre
- OECD
- Proparco's magazine - Private Sector and Development
- UNECA
- UNDP Africa bureau
- United Nations
- World Bank



