Riscos e desafios para as economias africanas
Esta previsão para África, para 2011 e 2012, baseia-se nalguns pressupostos, que se podem revelar como demasiado optimistas ou pessimistas. Assumiu-se que a recuperação da economia e do comércio mundiais seria sustentada e que os preços das mercadorias (petrolíferas e não petrolíferas) continuariam altos, se bem que a níveis mais baixos do que os registados no primeiro trimestre de 2011. Existem, no entanto, riscos nos dois sentidos, tanto positivos como negativos, nesta previsão.
Em termos positivos, a recuperação global pode ser mais forte do que o esperado, à medida que a confiança aumente em muitas regiões do mundo – o que dinamizaria mais o crescimento africano. Mas os acontecimentos recentes na economia global, na sequência do sismo e da crise nuclear no Japão, tornam este risco de subida mais reduzido.
Em termos negativos, a recuperação global pode ser mais fraca do que o que aqui se assumiu. Se os preços do crude continuarem altos, a níveis entre os 110 e os 120 USD, o crescimento global pode retrair-se. A subida do preço do crude está a transferir riqueza dos países importadores de petróleo para os países exportadores, aumentando as poupanças globais nestes países (pois os exportadores têm normalmente uma taxa de poupança mais alta do que os importadores), enquanto naqueles aumenta a inflação global e se reduz a procura real. Se as políticas monetárias dos importadores de petróleo forem rígidas, em resposta ao aumento da inflação, o crescimento global pode retrair-se ainda mais.
Para além destes riscos externos, existem igualmente riscos positivos e negativos em África. O mais importante será a forma como os países irão responder ao descontentamento social e à tensão política, que floresceram em muitos países. Actualmente ainda não é claro quando é que a paz será restabelecida na Líbia.
No entanto, nos países com sectores agrícolas consideráveis, o produto global depende da produção agrícola, logo também das condições climatéricas. O pressuposto técnico de condições climatéricas normais, deste relatório, pode acabar por ser demasiado pessimista ou optimista.
Finalmente, com os elevados preços dos alimentos e da energia – e com a realização de vários processos eleitorais – alguns países africanos podem vir a conhecer uma ainda maior agitação social e política.
Os decisores políticos africanos devem estar conscientes destes riscos globais e domésticos. É necessário que a estabilidade económica e social seja sustentada, ou, em caso de perturbações, que a normalidade seja rapidamente reposta.
Politicamente, é necessário prosseguir políticas macroeconómicas prudentes e, em simultâneo, pôr em prática as medidas apropriadas para responder aos desafios dos elevados custos das mercadorias. Nos países ricos em recursos, parte das receitas adicionais deve ser posta em fundos soberanos, de forma a assegurar recursos em caso de diminuição dos preços ou de esgotamento dos recursos.
Perante os altos preços dos alimentos, os governos que tenham os recursos necessários, devem proteger os grupos mais vulneráveis da fome, através da concessão de apoios de custo efectivo destinados a alvos seleccionados, em vez de optarem pelos subsídios, em termos alimentares e de energia, à população em geral.
Para além disso, devem ser melhoradas as condições comerciais na agricultura, garantindo que os agricultores possam aumentar o investimento e a produtividade, em resposta aos elevados preços dos produtos agrícolas.
Tabela 1a: Desenvolvimentos macroeconómicos em África
| 2009 | 2010 | 2011 | 2012 |
|---|---|---|---|---|
Crescimento do PIB real (%) |
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África Central | 2.6 | 4.7 | 5.3 | 5.7 |
África Oriental | 5.7 | 6.2 | 6.7 | 6.7 |
Norte de África | 3.5 | 4.6 | 0.7 | 5.1 |
África Austral | -0.5 | 3.3 | 4.5 | 5.5 |
África Ocidental | 5.6 | 6.7 | 6.0 | 6.8 |
África | 3.1 | 4.9 | 3.7 | 5.8 |
Rubricas pró memória |
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Norte de África (Incluindo o Sudão) | 3.6 | 4.6 | 1.1 | 5.1 |
África Subsariana | 2.7 | 5.0 | 5.5 | 6.2 |
Países exportadores de petróleo | 4.1 | 5.4 | 2.7 | 6.1 |
Países importadores de petróleo | 1.9 | 4.2 | 4.9 | 5.4 |
Preços no consumidor (Inflação em %) | ||||
África Central | 10.0 | 5.5 | 4.8 | 4.4 |
África Oriental | 16.7 | 9.3 | 11.3 | 9.3 |
Norte de África | 9.1 | 7.1 | 8.8 | 7.7 |
África Austral | 8.0 | 6.4 | 6.6 | 6.7 |
África Ocidental | 10.3 | 10.4 | 9.2 | 7.3 |
África | 10.0 | 7.7 | 8.4 | 7.4 |
Rubricas pró memória |
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Norte de África (Incluindo o Sudão) | 9.3 | 7.7 | 9.3 | 7.9 |
África Subsariana | 10.5 | 7.8 | 7.8 | 7.1 |
Países exportadores de petróleo | 11.5 | 10.0 | 10.4 | 8.7 |
Países importadores de petróleo | 8.3 | 5.0 | 6.1 | 5.8 |
Equilibrio Orçamental incluindo donativos (% do PIB) | ||||
África Central | -2.3 | 0.5 | -0.2 | 0.2 |
África Oriental | -2.6 | -3.3 | -3.5 | -4.2 |
Norte de África | -4.0 | -2.4 | -6.9 | -5.3 |
África Austral | -6.5 | -3.3 | -2.8 | -2.2 |
África Ocidental | -8.0 | -6.1 | -2.0 | -1.2 |
África | -5.2 | -3.3 | -3.9 | -3.2 |
Rubricas pró memória |
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Norte de África (Incluindo o Sudão) | -3.8 | -2.3 | -6.1 | -4.9 |
África Subsariana | -6.1 | -3.9 | -2.6 | -2.1 |
Países exportadores de petróleo | -5.8 | -2.0 | -3.2 | -2.0 |
Países importadores de petróleo | -4.6 | -4.8 | -4.9 | -4.6 |
Balança de transacções correntes, incluindo donativos (% do PIB) | ||||
África Central | -6.0 | -3.1 | -2.3 | -2.4 |
África Oriental | -7.4 | -8.3 | -7.7 | -9.2 |
Norte de África | 0.1 | 3.2 | 0.1 | 1.3 |
África Austral | -5.7 | -2.8 | -4.0 | -3.2 |
África Ocidental | 6.4 | 7.0 | 10.0 | 9.7 |
África | -1.6 | 0.4 | -0.2 | 0.2 |
Rubricas pró memória |
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Norte de África (Incluindo o Sudão) | -0.8 | 2.0 | -0.6 | 0.3 |
África Subsariana | -2.1 | -0.5 | 0.0 | 0.2 |
Países exportadores de petróleo | 1.8 | 5.2 | 4.3 | 5.3 |
Países importadores de petróleo | -5.4 | -4.9 | -5.5 | -6.0 |
Useful links
- African Development Bank
- OECD Development Centre
- OECD
- Proparco's magazine - Private Sector and Development
- UNECA
- UNDP Africa bureau
- United Nations
- World Bank



