A turbulência política abranda o crescimento no Norte de África
Em 2010, a expansão económica situou-se acima da média nos países ricos em recursos que beneficiaram da recuperação da procura de mercadorias, dos preços do petróleo e de bens não petrolíferos, e do comércio. Para 2011, prevê-se que o crescimento acelere na maioria dos países africanos, com algumas importantes excepções. Alguns países africanos estão confrontados, não só com o aumento das facturas dos alimentos e do petróleo, mas também com a instabilidade política e a agitação social. As convulsões políticas e a concomitante incerteza no Norte de África, nos primeiros meses de 2011, perturbaram seriamente a actividade económica. Na Tunísia e no Egipto, as greves e as manifestações, causaram quebras de produção nos primeiros meses do ano, e a situação de insegurança levou ao abrandamento do turismo, uma das principais fontes de receita das exportações, nestes dois países. Na Líbia, o recente conflito armado está a causar uma queda de dois dígitos na produção de petróleo e na receita associada. Devido a estes acontecimentos, o crescimento no Norte de África deverá abrandar para menos de 1% em 2011, uma quebra desde os 4,7% de 2010. Partindo do pressuposto do regresso a uma actividade económica normal, o crescimento na região deverá acelerar para quase 5%, em 2012. Estas projecções têm uma grande margem de erro. Dado que o peso do PIB do Norte de África é cerca de um terço do PIB de todo o continente, os acontecimentos nesta região estão a fazer abrandar o crescimento em 2011 para além de um ponto percentual.
A África Oriental deverá continuar a sua via de crescimento, acima dos 6%, no período de projecção, enquanto se espera que o crescimento na África Ocidental desacelere para um valor inferior a 6%, devido aos acontecimentos na Costa do Marfim. A África Austral, a única região africana com crescimento negativo em 2009, recuperou em 2010 e assim deverá continuar, e mesmo reforçar, com o crescimento a atingir os 4,5% em 2011 e 5,5% em 2012. Prevê-se que o crescimento na África Central acelere para os 5,3% em 2011 e 5,7% em 2012 (Table 1.1 e Fig. 1.7).
Tabela 1.1: Crescimento por regiões (Crescimento do PIB real em percentagem)
| 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | |
|---|---|---|---|---|
| África | 3.1 | 4.9 | 3.7 | 5.8 |
| África Central | 2.6 | 4.7 | 5.3 | 5.7 |
| África Oriental | 5.7 | 6.2 | 6.7 | 6.7 |
| Norte de África | 3.5 | 4.6 | 0.7 | 5.1 |
| África Austral | -0.5 | 3.3 | 4.5 | 5.5 |
| África Ocidental | 5.6 | 6.7 | 6 | 6.8 |
Figura 1.7: Contribuição das Regiões para o crescimento Africano
O aumento dos preços e da produção de petróleo continua a ser o motor do crescimento dos países africanos exportadores de petróleo. A situação na Líbia, no entanto, afecta a média de crescimento do PIB deste grupo de países, que se espera que desacelere abaixo de 3% em 2011, antes de voltar a acelerar para cerca de 6%, em 2012 (supondo um regresso a uma actividade económica normal na Líbia). Nos países importadores de petróleo, o crescimento médio acelerou em 2010, para os 4,2% (em 2009, ficou abaixo dos 2%) e deverá reforçar o crescimento para 4,9% e para 5,4% em 2012. (ver Anexo Tabela 1.A).
Considerando individualmente cada país, a projecção aponta para que o Gana, a Etiópia e Angola estejam no topo do ranking de crescimento em 2011 e 2012. Em contraste os conflitos políticos estão a causar queda das exportações na Líbia e na Costa do Marfim. Os acontecimentos no Egipto e na Tunísia e a incerteza em Madasgáscar, estão também a afectar o crescimento nestes países (Ver Figs. 1.8 e 1.9 e o Anexo Estatistico).
Useful links
- African Development Bank
- OECD Development Centre
- OECD
- Proparco's magazine - Private Sector and Development
- UNECA
- UNDP Africa bureau
- United Nations
- World Bank





