África continua a crescer, mas há riscos
As economias africanas estão em recuperação sobretudo fruto de um aumento dos preços das mercadorias e dos volumes de exportação. A crise financeira e económica global de 2008/2009 interrompeu o período de grande crescimento, com o PIB africano a passar de uma taxa de crescimento anual de cerca de 6% nos anos anteriores à crise, para 3,1%, em 2009. Desde então, o ambiente económico africano melhorou significativamente, e as expectativas têm sido globalmente favoráveis. Em 2010, a taxa média de crescimento africano chegou aos 4,9%, mas devido aos acontecimentos políticos no norte de África, o crescimento do continente abrandará para 3,7% em 2011. No momento em que se escreve, no entanto, persiste uma incerteza considerável em relação ao desenvolvimento de diversos países, em especial na Líbia, e acima de tudo aos efeitos desses acontecimentos no crescimento africano. Partindo do pressuposto de que a economia normalmente recupera é esperado que o crescimento médio de África possa acelerar para 5,8% em 2012 (ver Figuras 1.1 e 1.2 e Caixa 1.1). (Previsões macroeconómicas detalhadas para África e suas regiões são apresentadas na Tabela A.1, no final deste capítulo)
Figura 1.2: Situação económica actual em África e expectativas para os próximos seis meses

Esta previsão para África baseia-se no pressuposto de que a economia mundial continuará a crescer, se bem que a um ritmo mais moderado do que em 2010 (ver Caixa 1.2).
Caixa 1.1. Indicador de ambiente económico em África
Os indicadores apresentados nas Figuras 1.2 para África, são do Ifo World Economic Survey (WES). Este inquérito é realizado pelo German Ifo Institute for Economic Research Munich, em cooperação com a Câmara Internacional de Comércio (ICC), de Paris, e, para África, em cooperação com o Banco Africano de Desenvolvimento. Analisa trimestralmente as tendências da economia global, através de inquéritos a especialistas económicos, em todo o mundo, sobre os desenvolvimentos económicos nos seus respectivos países. Permite uma rápida e actualizada análise da situação económica dominante em todo o mundo. O questionário centra-se em informação qualitativa: na análise global da situação económica do país e nas expectativas em relação a importantes indicadores económicos. Provou ser um instrumento útil na medida em que revela alterações económicas mais cedo que as tradicionais estatísticas económicas. O inquérito alargou recentemente a sua cobertura de África, que integra agora 34 países, se bem que nalguns apenas com um número reduzido de participantes. O WES pretende desenvolver mais a cobertura nos países africanos, bem como o respectivo número de participantes.
Com a população Africana a crescer acima dos 2%, espera-se que o PIB per capita cresça, em média, de 1,4% em 2011 e 3,5% em 2012, depois de ter crescido menos de 1% em 2009. Embora a aceleração do crescimento per capita seja apreciável em 2011, não será suficiente para reduzir a pobreza de forma significativa. O crescimento do rendimento per capita será demasiado baixo em muitos países, sobretudo em países que sofrem de perdas em termos de trocas, consequência dos preços mais altos das importações de alimentos e de energia. Este é actualmente o caso dos países pobres em recursos, enquanto os países com recursos beneficiam de ganhos em termos de trocas, pelo que o seu rendimento real aumenta mais rapidamente que o seu produto real. (ver Figuras 1.3 e 1.4)1. Para além disso, em muitos países, há uma desigualdade na distribuição do rendimento e da riqueza, pelo que um forte crescimento médio do rendimento não significa necessariamente uma redução da pobreza (ver capítulo 4).
Figura 1.3: Variação em termos de trocas de alguns países, ricos em recursos (referido a Janeiro de 2000)
Figura 1.4: Variação em termos de trocas de alguns países, pobres em recursos
Useful links
- African Development Bank
- OECD Development Centre
- OECD
- Proparco's magazine - Private Sector and Development
- UNECA
- UNDP Africa bureau
- United Nations
- World Bank



