Fontes do IDE
Os países desenvolvidos são a mais importante fonte dos fluxos de IDE para países africanos, representando, entre 2000 e 2008, 72% do total (UNCTAD, 2010 c). Fortemente atingidos pela crise económica global, os países da OCDE reduziram substancialmente as suas actividades de investimento externo. De acordo com os dados do IDE na origem, compilados pela OCDE (s.d.), os países membros reduziram os seus fluxos de IDE em 43%, passando de 1,8 biliões de USD, em 2008, para um bilião, em 2009. Os fluxos de IDE provenientes da OCDE e com destino a África foram também afectados, se bem que, em menor grau: de 34 mil milhões de USD em 2008 para 29 mil milhões de USD em 2009. Em consequência, a percentagem dos fluxos de IDE provenientes da OCDE com destino a África cresceu de 2%, em 2008, para 3%, em 2009, quando no ano 2000 era inferior a 1%. Apesar destes desenvolvimentos positivos, o IDE proveniente da OCDE está concentrado em poucos países e sectores e não atinge o continente de forma equitativa. Entre 2007 e 2009, 60% do investimento da OCDE em África teve como destino três países (África do Sul, Egipto e Nigéria). Os maiores investidores da OCDE em África são empresas do Reino Unido, de França e dos Estados Unidos que, desde há largos anos, vêm investindo nas indústrias extractivas.
É difícil obter dados para o IDE proveniente de países que não são membros da OCDE. Numa amostra de dez países africanos, cujos bancos centrais forneceram às PEA os seus próprios dados sobre o IDE3, os membros da OCDE representavam, entre 2005 e 2010, 83% dos fluxos. O Médio Oriente é a segunda região mais importante, seguindo-se os países africanos (investimento intra-africano). A China e a Índia são origem de cerca de 3% do IDE destes dez países africanos, sendo a parcela indiana maior do que a chinesa. Segundo o boletim estatístico chinês, o país investiu, em 2008, 5,5 mil milhões de USD na África subsaariana, representando 9,82% do seu investimento externo. Este investimento da China representa uma subida em relação aos 70 milhões de 2003, mas decresceu relativamente a 2009, quando alcançou 1,1 mil milhões de USD (FMI, 2011). A África do Sul, onde o banco chinês Industrial and Commercial Bank adquiriu uma posição de 20% no Standard Bank, representa a maior parcela deste crescimento em 2008.
Estes números podem parecer baixos. No entanto, os dados dos fluxos de IDE das economias emergentes para África devem ser vistos no contexto da grande variedade de mecanismos de financiamento que estes países fornecem ao continente. Os créditos à exportação, por exemplo, têm um papel muito mais significativo nos investimentos de carteira africanos das economias emergentes do que nos países da OCDE. De uma forma geral, os investimentos que entidades privadas de economias emergentes fazem em África são, provavelmente, registados como IDE, enquanto negócios que envolvam empresas estatais envolvem, frequentemente, uma diversidade de instrumentos de financiamento que não são contabilizadas como IDE.
Mesmo ainda estando maioritariamente centrados nas indústrias extractivas, os crescentes investimentos das economias emergentes em África têm potencial para se transformar em factores chave do desenvolvimento económico. Alguns negócios de parceiros emergentes em África combinam o desenvolvimento da extracção de recursos com o desenvolvimento de complexos industriais e a construção das necessárias infraestruturas. Por outro lado, aseconomias emergentes investem cada vez mais noutros sectores, começando a criar competências em manufacturas, localmente.
Os investidores africanos são igualmente uma fonte crítica para uma maior diversificação do IDE. A maioria do investimento africano no continente faz-se em países vizinhos, e centra-se mais nas manufacturas e nos serviços do que nas matérias-primas primárias. O investimento intra-africano, assim, beneficia e ajuda a integração regional e um desenvolvimento económico equilibrado em África. O crescente volume da IDE intra-africano é, desta forma, muito positivo.
A África do Sul é a mais importante fonte de IDE intra-africano e o segundo investidor no conjunto dos países em desenvolvimento. A parcela de IDE sul-africano que se destina a países africanos chegou quase a 11 mil milhões de USD em 2008, representando 22%, quando no ano 2000 foi 5%. Em 2009, a África do Sul investiu 1,6 mil milhões de USD de IDE noutros países africanos, uma alteração relativamente às actividades de desinvestimento de 2008 e um regresso a uma estratégia activa de investimento na região.
O Norte de África é a segunda fonte de IDE intra-africano. O fundo soberano líbio, Libyan Africa Portfolio Fund for Investment (LAP), tem mais de 5 mil milhões de USD em capitais e investimento, tanto directamente como através das suas subsidiárias, numa vasta gama de sectores, em muitos países africanos. A egípcia Orascom também tem vastos investimentos de carteira por todo o continente, sobretudo em telecomunicações e na construção. 55% dos fluxos marroquinos de IDE e 84% dos tunisinos têm como destino o Norte de África (FMI, 2010 a). Perante a relevância do Norte de África como origem do IDE intra-africano, a recente agitação política na região deverá afectar negativamente esses fluxos no futuro próximo.
Useful links
- African Development Bank
- OECD Development Centre
- OECD
- Proparco's magazine - Private Sector and Development
- UNECA
- UNDP Africa bureau
- United Nations
- World Bank



