Em 20091 Angola recebeu o maior montante de IDE, com 13,1 mil milhões de USD. Seguiu-se o Egipto (6,7 mil milhões de USD), a África do Sul e a Nigéria (5,7 mil milhões cada)2. Em 2010 (todos os dados de 2010 são estimativas do FMI, com data de Outubro de 2010) estima-se que Angola tenha recebido 7,9 mil milhões de USD, o equivalente a 15% de todo o IDE em África nesse ano. Seguem-se o Egipto, com 6,8 mil milhões de USD, e a Nigéria, com 4,5 mil milhões. A Líbia, Marrocos, a República do Congo e o Sudão receberam cada um entre 3 e 4 mil milhões de USD de IDE em 2010, enquanto a África do Sul ocupou o oitavo posto, com 2 mil milhões de USD de IDE.

Em termos agregados regionais, o Norte de África foi o principal destino de IDE do continente, entre 2004 e 2008 e novamente em 2010, recebendo um pouco mais de um terço do total de fluxos de IDE em África. O Norte de África, assim, beneficiou substancialmente do forte incremento do IDE para o continente. Para além dos atractivos recursos petrolíferos da Argélia, da Líbia, do Egipto, do Sudão e da Tunísia, este crescimento fica a dever-se aos esforços desenvolvidos por alguns países da região em termos de abertura das economias a mais investimento estrangeiro. Em 2010, o Norte de África recebeu 20 mil milhões de USD, uma subida em relação aos 18,3 mil milhões de 2009 – mas ainda longe do pico alcançado em 2008: 24 mil milhões de USD. O Egipto foi, de longe, o maior receptor de IDE no Norte de África, mas a sua quota regional decresceu, dos quase 40% de 2008 para os 34% de 2010. Também a Argélia conheceu um declínio do IDE, de 2,5 mil milhões de USD para os 1,5 mil milhões em 2010. Estima-se que o IDE para a Líbia tenha aumentado, passando dos 2,7 mil milhões em 2009 para os 3,8 mil milhões em 2010.

A África Central tem sido, nos últimos anos, o segundo destino do IDE. Alcançou o primeiro lugar em 2009, com 18,7 mil milhões de USD, um terço do IDE do continente, mas retrocedeu para os 14 mil milhões em 2010. O centro destes investimentos está ligado à indústria petrolífera. Angola é, de longe, o maior receptor de IDE da região, e regista cerca de dois terços dos investimentos. Segue-se a República do Congo, com 2 mil milhões de USD em 2009 e 3,2 mil milhões em 2010, surgindo depois a Guiné Equatorial (1,7 mil milhões em 2009 e 1,4 mil milhões em 2010).

 

 

Tabela 2.1: Fluxos de IDE para Regiões Africanas 2005-10 (milhares de milhões de USD, a preços correntes)

 200520062007200820092010
África38.255.463.172.258.652.3
Norte de África12.223.124.824.118.319.7
África Central9.412.115.720.918.714.4
África Ocidental7.116.09.511.110.09.1
África Austral7.30.67.110.46.63.1
África Oriental2.13.66.05.75.06.0

A África Ocidental recebeu cerca de 20% do IDE em África nos últimos cinco anos, atraindo 10 mil milhões de USD em 2009 e 9 mil milhões em 2010. A indústria petrolífera nigeriana é o principal destino na região. A Nigéria recebeu quase 6 mil milhões de USD em 2009 e 4,5 mil milhões em 2010, sendo responsável por 50% do IDE na região. O Gana é o segundo maior receptor de IDE na região, com 1,5 mil milhões em 2010 – o IDE para o Gana decuplicou nos últimos cinco anos, um processo relacionado com as recentes descobertas de petróleo (a produção começará em 2011). Este dinamismo só é superado pelo Níger, que recebeu 900 milhões de USD em 2010, uma subida relativamente aos 30 milhões de 2005, e pela Libéria, que passou praticamente de zero, em 2005, a 350 milhões em 2010.

À Africa Austral foram destinados, nos últimos cinco anos, cerca de 11% do IDE, alcançando 6,6 mil milhões de USD em 2009, menor do que os 10 mil milhões de 2008. Já em 2010, o IDE na região voltou a decrescer, registando 3 mil milhões de USD. A África do Sul é o principal destino regional de IDE, representando 85% entre 2007 e 2009. Ao contrário da maioria dos restantes países do continente, muito do investimento externo na África do Sul tem como destino o sector das manufacturas. Especialmente na indústria automóvel, a África do Sul tem conseguido aplicar com sucesso incentivos ao investimento para desenvolver uma indústria manufactureira de exportação ( ISA - International Strategic Analysis, 2011b). Nos restantes países da região, o investimento externo será direccionado aos vastos sectores da mineração e do turismo, em países como a Namíbia e o Botswana (International Strategic Analysis, 2011a).

A África Oriental é a região com menor percentagem de IDE, registando 8% nos últimos cinco anos. Para 2010, o IDE para a África Oriental está estimado em 6 mil milhões de USD, uma subida em relação aos 5 mil milhões de 2009. O principal receptor é a Zâmbia, com cerca de mil milhões anuais nos últimos 3 anos, dirigidos à indústria mineira. Moçambique foi o país que registou a maior taxa de crescimento de IDE em África, com um incremento de quase 900% nos últimos cinco anos. Este crescimento baseia-se principalmente em megaprojectos de indústrias de extracção mineral, nomeadamente carvão e alumínio. Estes megaprojectos recompensam os esforços do país na criação de zonas económicas especiais (ZEE) e na implementação de condições legais e fiscais atractivas para os investidores. Á excepção do Uganda, onde foram recentemente descobertas reservas de petróleo, os outros países da região não têm recursos minerais significativos, atraindo menores montantes de IDE. Apesar dos baixos valores, a percentagem da África Oriental, em termos de números de projectos, é significativa. No primeiro trimestre de 2010, 25% do total africano dos investimentos em projectos de raiz ocorreram nesta região, reflectindo o foco na procura de mercado nos sectores produtivo e dos serviços, que são muito menores em valor do que os projectos da indústria extractiva.