Perspectivas deste ano deste ano analisa os desenvolvimentos macroeconómicos e estruturais de África. Examina o modo como o continente africano, as suas regiões e países, se saiu durante a crise global e prevê desenvolvimentos económicos em 2011 e 2012. 

África continua a crescer, mas há riscos

Grey-headed gull over the Durban harbor, by Clive Reid

As economias africanas recuperaram da depressão, que fora causada pela recessão global. Em 2010, a taxa de crescimento médio de África ascendia a 4.9%, subindo de 3.1%, em 2009. É provável que os acontecimentos políticos no norte de África diminuam o crescimento do continente para 3.7%, em 2011. No entanto, esta previsão está circundada por considerável incerteza. Os riscos estão relacionados com a economia global, nomeadamente o impacto do terramoto e da crise nuclear no Japão, e com África, especialmente os desenvolvimentos na Líbia e na Côte d´Ivoire e como tal afecta os países vizinhos. Pressupondo que a normalidade económica retorna a estes países, espera-se que o crescimento médio de África se precipite para 5.8%, 2012. É provável que a actual recuperação económica em África reduza a componente cíclica do desemprego, mas o desemprego estrutural mantém-se elevado em muitos países.

O desemprego juvenil contribuiu para os distúrbios políticos

Wind of change, by Wassim Ben Rhouma

No norte de África, onde a actividade económica tem sido perturbada pelos tumultos políticos, é provável que o desemprego cresça mais, em 2011. O desemprego juvenil é, desde há muito, um enorme problema no norte de África (mas também em muitos outros países africanos) e contribuiu para os distúrbios políticos que levaram à queda dos governos na Tunísia e no Egipto. Os mercados de trabalho não têm sido suficientemente flexíveis para absorver a crescente oferta de jovens trabalhadores. Dado que a população de África se encontra em rápido crescimento, a pressão demográfica sobre os mercados de trabalho persistirá, em muitos países africanos. Mas no norte e no sul de África, a pressão demográfica sobre os mercados de trabalho acalmará, uma vez que se prevê que a população jovem se mantenha perto dos níveis actuais.

É necessária uma abordagem compreensiva para fazer face ao problema do desemprego, no geral, e ao do desemprego juvenil, em particular. São precisos melhoramentos, tanto no lado da oferta como no da procura dos mercados laborais. É necessário fazer mais para melhorar a qualidade da oferta laboral, para que corresponda melhor às competências exigidas pelos empregadores. Tal refere-se também aos licenciados das universidades, que ficam vulneráveis ao desemprego, se as suas competências não corresponderem às exigências profissionais. Simultaneamente, a procura laboral tem de ser estimulada através de melhores condições-quadro para o crescimento económico, no geral, e para a actividade do sector privado, em particular, incluindo pela criação de novas empresas.

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