Visão Global
Perspectivas Macroeconómicas
Após uma recuperação inicial face aos efeitos da crise económica mundial de 2009, a economia africana abrandou em 2011, em consequência das revoltas árabes. Se em 2010 o crescimento do continente atingiu os 5%, em 2011 caiu para os 3.4 pontos percentuais. Com a recuperação das economias norte-africanas e uma melhoria sustentada nas outras regiões, o crescimento no continente deverá acelerar para 4.5%, em 2012, e 4.8% em 2013. Mantêm-se, no entanto, os problemas de curto-prazo na economia mundial, com a Europa a ser confrontada com a crise da dívida. Os preços das matérias-primas – um dado crucial para África – sofreram um declínio em relação ao pico, fruto da diminuição da procura e do aumento da oferta, e alguns dos produtos poderão ainda conhecer mais descidas. Prevê-se, de qualquer forma, que os preços continuem a níveis favoráveis para os exportadores africanos.
Fluxos financeiros externos e receitas fiscais em África
Os recursos externos dirigidos a África cresceram em 2011, na sequência de uma década de políticas macroeconómicas sólidas e de uma média anual de crescimento superior a 5 por cento. A forte recuperação do investimento externo, com a excepção dos países do Norte de África, foi a base de sustentação dos fluxos externos. O apetite das economias emergentes da Ásia e da América Latina pelos recursos naturais desencadeou a alta dos preços internacionais das matérias-primas, o que esteve na base do investimento em recursos naturais em África.
Políticas comerciais e integração regional
A carteira de exportações africanas continua a ser fortemente dominada pelas matérias-primas, pelo que o continente está à mercê das flutuações dos preços internacionais das matérias-primas. Esta dependência aumenta a exposição do continente a choques externos e reforça a necessidade de diversificação das exportações. O comércio de serviços, sobretudo viagens e turismo, continua a crescer, o que sublinha o grande potencial do continente nesta área.
Desenvolvimento humano: fuga de capitais e pobreza
Em 2011, os países da África Subsariana situaram-se no nível agregado mais baixo do índice de desenvolvimento humano, sendo certo que registaram o segundo maior crescimento anual no período 2000-2011. Melhores políticas não serão suficientes para sustentar altas taxas de crescimento de desenvolvimento humano. Terão que ser completadas por uma combinação de APD, remessas, IDE e receitas fiscais, de forma a garantir os meios financeiros necessários para colmatar as lacunas de capital humano.
Governação Política
Na sequência da ‘Primavera árabe’ de 2011, a Tunísia e o Egipto têm agora representantes eleitos de partidos políticos de inspiração islamita nos respectivos parlamentos. Após décadas de regimes repressivos, estes países terão que alcançar um novo contrato social que satisfaça todos os estratos sociais, de forma a permitir que as economias regressem rapidamente à normalidade e que seja possível dar resposta às elevadas expectativas geradas pelas revoluções.
Promoção do emprego jovem
A África tem a população mais jovem do mundo e está em crescimento acelerado. Nas próximas décadas, centenas de milhões de jovens africanos deixarão o ensino, em todos os graus, e procurarão encontrar trabalho. Os jovens desempregados e os trabalhadores pobres enfrentam desafios e obstáculos diversos – e variáveis de país para país. O desemprego jovem é fundamentalmente um problema de qualidade, nos países de baixo rendimento, e de quantidade, nos países de médio rendimento. A precariedade do emprego jovem e a pobreza de quem tem trabalho são predominantes nos países pobres. Nos países de rendimento médio-alto, há mais jovens desempregados, desiludidos ou inactivos. Em todos os grupos de países há mais jovens desiludidos do que desempregados, o que sugere que o desafio do emprego jovem tem sido subestimado.
Algumas conclusões são evidentes. O sector público não será capaz de absorver os jovens que procuram emprego, pois há poucas perspectivas de expansão nesta área. O sector privado formal está a crescer, mas o ponto de partida é extremamente baixo. As empresas que já existem – fonte primária de emprego remunerado – devem ser apoiadas, para que cresçam e sejam mais competitivas. Muito importante será prestar atenção aos sectores informal e rural, pois serão as áreas de criação de novos postos de trabalho. Os governos devem centrar-se na remoção dos obstáculos às inúmeras pequenas empresas informais, ajudá-las a crescer e a criar empregos decentes.



