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Moçambique

Autores : Andre Almeida Santos, Glenda Gallardo, Manuel Filipe

  • Em 2016 o crescimento do PIB abrandou para 4.3% devido a uma maior restrição orçamental, a uma quebra do investimento direto estrangeiro e, ainda, devido à crise da dívida «oculta»; espera-se um aumento na ordem dos 5.5% para 2017, impulsionado pelas exportações do setor extrativo.

  • Embora a incidência da pobreza tenha diminuído, o número de pessoas pobres permanece quase o mesmo, num ambiente de crescentes desigualdades.

  • Um frágil setor industrial emprega apenas 3.2% da população e é essencialmente composto por pequenas e microempresas (90%).


O crescimento real do produto interno bruto (PIB) é estimado em 4.3% em 2016, refletindo as vulnerabilidades de Moçambique. As receitas das exportações tradicionais caíram devido a uma baixa da procura global e à seca provocada pelo El Niño que afetou a produção agrícola. Enquanto isso, a economia a enfrenta constrangimentos logísticos em resultado do conflito militar interno. Os fracos influxos de divisas – à medida que os megaprojetos de gás foram sendo paralisados e os parceiros externos suspenderam o apoio ao orçamento – obrigaram a economia a contar apenas com a sua própria capacidade de financiamento interno, já de si escassa. As restrições monetárias conduziram a uma diminuição da procura interna, e as importações foram reduzidas devido a uma maior depreciação do metical (MZN). A recuperação das exportações de carvão e de eletricidade, juntamente com o esperado início de um projeto de gás natural offshore, deverão contribuir para um aumento do crescimento na ordem dos 5.5% em 2017 e 6.8% em 2018.

Na sequência da revelação da dívida escondida de 1.4 mil milhões de USD em 2016, Moçambique tornou-se o país mais endividado do continente africano, classificado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como em situação sobre-endividamento e pelas agências de rating em incumprimento restrito. Considerando que apenas no futuro se poderá contar com o potencial de grandes receitas com origem nos projetos de gás natural liquefeito (GNL), o país enfrenta, no curto prazo, uma crise de liquidez para equilibrar as suas contas externas e financiar os seus défices orçamentais. Uma atitude credível no que diz respeito a uma politica de restrição orçamental é crucial para garantir a sustentabilidade da dívida, que depende também da reestruturação da dívida comercial. A necessária resolução política enfrentará resistência interna, particularmente no âmbito das questões de governação, de prestação de contas e do conflito político-militar. A médio prazo, a diversificação da base produtiva nacional é o caminho para a resiliência económica e o desenvolvimento inclusivo. Dados recentes sobre a pobreza revelam uma lenta redução da mesma, e crescentes desigualdades entre as regiões e entre as populações urbanas e rurais.

Graças aos grandes fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) desde 2000, o alumínio, o carvão e o gás constituem agora a espinha dorsal industrial do país, com o subsetor de gás natural a tornar-se o principal polo industrial. Estas são na sua maioria indústrias orientadas para a exportação, possuindo, no entanto, um limitado valor acrescentado. A maior parte do setor manufatureiro restante estagnou, com exceção dos alimentos, bebidas, tabaco e cimento. Desde a independência em 1975, as indústrias tradicionais como a cerâmica, o chá, o caju, a metalurgia e os têxteis desapareceram ou tornaram-se residuais. Em 2016, o governo aprovou uma nova estratégia assente na indústria como o principal motor do desenvolvimento.

Mocambique

 

Comunicado de imprensa

Realizar o potencial dos empreendedores africanos para acelerar a transformação industrial de África, é o que afirma o relatório Perspetivas Económicas em África 2017

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