Opções de políticas

Nesta secção discutem-se algumas opções de políticas fiscais. A ordem de apresentação destas políticas segue a sequência lógica de um processo típico de reforma fiscal. No curto prazo, os decisores políticos devem concentrar-se em formas de aprofundar a base fiscal, da forma mais eficiente e justa possível – eliminando as preferências fiscais, abordando os abusos nos preços de transferências por parte das multinacionais e taxando as indústrias extractivas de uma forma justa e transparente. No médio prazo, as questões estruturais requerem estratégias que visem o sector informal, reforcem a legitimidade fiscal, impulsionem a capacidade administrativa e aproveitem a cooperação internacional para melhorar a mobilização de recursos. O objectivo, a longo prazo, de gerar receitas através de um pacote fiscal mais equilibrado pode ser atingido através de um maior enfoque em instrumentos como os impostos sobre a propriedade urbana. Trata-se de um imposto progressivo, que pode ser alargado de forma a acompanhar o ritmo explosivo de urbanização do continente africano e a correspondente necessidade de infra-estruturas urbanas. Os parceiros de desenvolvimento podem facilmente apoiar este tipo de imposto.

Idealmente, o que podem fazer os países africanos para melhorar os seus sistemas fiscais?

Alguns estudos recentes fizeram várias recomendações aos decisores políticos africanos sobre o tratamento fiscal. Volkerink (2009), WB-DFID (2009), Keen e Mansour (2009), Bahl e Bird (2008) afirmam que os impostos devem ser cobrados a taxas baixas e relativamente uniformes, sobre uma base tributável alargada, uma vez que assim são mais fáceis de gerir e colectar. Da mesma forma, as isenções e brechas fiscais devem ser eliminadas. Os países devem afastar-se de uma elevada dependência em relação a impostos comerciais ineficientes. O IVA deve transformar-se no centro da tributação indirecta, substituindo o volume de negócios e até os impostos sobre as vendas. A principal mensagem é manter os impostos a um nível baixo, uniforme, simples e com uma base ampla.

A forma mais eficaz de aumentar as receitas públicas é através de políticas que aumentem a base tributária por via de um crescimento económico sustentado. Uma cobrança fiscal eficiente fortalece igualmente a mobilização de recursos públicos, sem um excesso de tributação do tecido económico. Os eventuais aumentos de impostos devem, idealmente, ter efeitos neutros sobre o crescimento económico, não prejudicando o já bastante débil sector privado de muitos países africanos.

Para fazer crescer as suas receitas, um país pode aumentar a tributação sobre os contribuintes já existentes e/ou alargar o número potencial de contribuintes. Os países africanos devem centrar-se nos potenciais novos contribuintes ao longo do tempo. A existência de uma base tributável ampla é mais estável, uma vez que assenta num conjunto mais diversificado de impostos, com uma carga fiscal mais leve sobre cada tipo de contribuinte e de actividade económica. Uma base tributável ampla envolve um maior número de actores no processo político nacional.

A política tributária tem de percorrer o caminho estreito das limitações da administração fiscal

Os Governos devem identificar primeiro quais as opções fiscais viáveis e, em seguida, procurar maximizar as receitas dentro deste conjunto de possibilidades. Para a maioria dos países africanos, as opções de curto prazo da política fiscal estão limitadas pela capacidade da sua administração fiscal. Os detentores de interesse sobrestimam, frequentemente, o que se pode razoavelmente conseguir através de uma política fiscal. Especificamente, e em comparação com os países industrializados, há poucas políticas fiscais redistributivas disponíveis. Deste modo, a melhoria das administrações fiscais é um pré-requisito para a redução das desigualdades de rendimentos através de uma tributação progressiva.

Pode ser muito contra-producente copiar estratégias redistributivas utilizadas em países com uma alta capacidade ao nível da sua administração, devido a factores não intencionais, ou porque essas estratégias beneficiam a classe média de um país. Seria mais indicado aumentar as taxas aplicáveis ao ensino superior, introduzir a cobrança de portagens nas estradas, taxas sobre o registo de automóveis – todos itens de consumo utilizados pelos africanos com maiores rendimentos. Estes impostos serão politicamente mais difíceis de introduzir, uma vez que são dirigidos a uma elite com maior influência sobre a legislação. Bolnick e Haughton (1998) sugerem que os países africanos poderiam utilizar os Impostos Especiais sobre o Consumo de forma mais intensiva, apesar deste tipo de imposto ser cobrado a taxas elevadas sobre uma base tributária pequena. Os impostos sobre a propriedade podem, igualmente, fornecer opções para uma redistribuição de rendimentos. Também neste caso a elite do país, provavelmente mais afectada por estes impostos, poderá desencorajar a criação desta legislação.

Theme 2011

Experts from different fields analyse what measures should African governments take in order to engage effectively with emerging economic partners in Africa, such as China, India, Brasil or Turkey.

 

Inquérito às despesas dos fiscais


Jean-Philippe Stijns
, co-author of the "Public Resource Mobilisation" study, highlights Morocco's practices while observing their taxation policies.