Telefones móveis em África: O Impacto da Crise
África é o mercado de telemóveis com crescimento mais rápido no Mundo. Representa cerca de 10 por cento das ligações móveis totais em termos mundiais, com 450 milhões de ligações esperadas até final de 2009. No entanto, apesar do enorme crescimento que os operadores móveis estão a conseguir na região, o sector africano das telecomunicações não é imune à crise económica global.
A maioria dos mercados com crescimento mais rápido está localizada no Norte de África e na África Ocidental, que representam em conjunto 63 por cento das ligações na região. Grande parte dos mercados mais competitivos situa-se na Nigéria, Zâmbia, Tanzânia, Congo (Kinshasa), Quénia, Argélia, Tunísia, Gana e África do Sul. Estes mercados têm gerado a maioria do crescimento e do acréscimo de valor na região, sendo provável que sofram o impacto da crise económica.
O futuro dos operadores móveis depende, em muitos mercados, da sua capacidade de manter os níveis de despesa de capital (Capex) e de custos operacionais (Opex) para cumprir os objectivos de longo-prazo. Os operadores têm de expandir as comunicações de segunda geração através do Sistema Global para Comunicações Móveis (GSM) e a cobertura de rede WCDMA de terceira geração, satisfazer as suas despesas de marketing e aumentar o número de pontos de venda e retalhistas. Na maioria dos mercados de crescimento rápido a altamente competitivos, as despesas de capital podem representar até 50 por cento das receitas geradas pelos operadores móveis, pelo que qualquer decréscimo repentino no Capex terá impacto no posicionamento competitivo dos operadores a longo-prazo. O mesmo se aplica a despesas operacionais em mercados nos quais os operadores precisam de lançar ofertas inovadoras de produtos e tarifas, incluindo serviços de alta velocidade.
O continente africano tem atraído um alto nível de interesse por parte de investidores externos que procuram o alto potencial de crescimento em África para compensar o baixo crescimento dos ganhos nos seus saturados mercados internos. No ano passado, a Orange (detida pela France Telecom) iniciou um esforço para se tornar uma super-potência das comunicações móveis em África. A maioria dos mercados africanos é actualmente disputada entre a Vodafone, a Orange, a Zain e a MTN – grupos que beneficiam de economias de escala alargadas e de uma liquidez substancial, o que lhes permite enfrentar os desafios de curto prazo. Os operadores locais irão provavelmente enfrentar maiores pressões em termos de liquidez, o que originará maiores desafios decorrentes do declínio do consumo interno, das flutuações monetárias e da inflação.
Entre 2009 e 2010, alguns grandes operadores podem considerar expandir as suas operações no exterior e adquirir bens de empresas em dificuldades (distressed assets) nos mercados emergentes. No entanto, parece que actualmente os maiores grupos operadores têm como objectivo maximizar os lucros das operações em curso, colocando em suspenso os projectos de expansão no exterior. Nos mercados do Norte de África e da África Ocidental, estima-se que os operadores móveis tenham gerado margens de lucro (EBITDA) entre os 35 e 40 por cento em 2008. Embora estas pareçam margens consideráveis, o alto nível das despesas de capital está a diminuir as receitas líquidas para cerca de 10 a 15 por cento das receitas totais. Na maioria destes mercados, o PIB per capita encontra-se numa média de 1 500 USD e a penetração das comunicações móveis raramente ultrapassa os 50 por cento. Apesar da incerteza subjacente ao impacto da desaceleração económica global, é provável que África permaneça como a região com maior crescimento de comunicações móveis no Mundo.
Fonte: Joss Gillet, Analista Sénior, Wireless Intelligence (www.wirelessintelligence.com ou e-mail: info@wirelessintelligence.com).
Theme 2011
Experts from different fields analyse what measures should African governments take in order to engage effectively with emerging economic partners in Africa, such as China, India, Brasil or Turkey.
Inquérito às despesas dos fiscais
Jean-Philippe Stijns, co-author of the "Public Resource Mobilisation" study, highlights Morocco's practices while observing their taxation policies.
Useful links
- African Development Bank
- OECD Development Centre
- OECD
- Proparco's magazine - Private Sector and Development
- UNECA
- UNDP Africa bureau
- United Nations
- World Bank



