Os esforços para melhorar os níveis educativos são essenciais no contexto africano e estão já a ser desenvolvidos por diversas empresas e organizações, com o objectivo de suprir necessidades críticas de pessoal competente em África. As várias empresas de TIC em expansão não conseguem encontrar pessoal com formação adequada. Os Centros Sul-Africanos de Inovação da Microsoft e a Fundação Internacional da Juventude promovem programas de formação Student2Business que visam empregar 10 000 licenciados até 2010. A IBM está a instalar um Centro de Inovação em Joanesburgo, procurando ajudar empresas a desenvolver competências em TIC e os trabalhadores corresponderem aos desafios do mercado. Este centro dará acesso a outros 38 centros de inovação e a 60 laboratórios de I&D que a IBM dispõe em todo o mundo. A MTN está a investir no desenvolvimento de competências para minorar a escassez de recursos humanos na África do Sul. A CISCO está igualmente a investir no desenvolvimento de competências, em colaboração com o Programa Global de Aceleração de Talentos na África do Sul.

O BAfD está a investir em competências de tecnologia e informação em dois Centros Regionais de Excelência em TIC, na Tunísia e no Ruanda, e num Centro de Alta Tecnologia de TIC no Mali. Estes centros formam gestores seniores, empreendedores, funcionários públicos e do sector privado e também estudantes universitários que pretendem seguir estudos avançados em TIC. A União Internacional de Telecomunicações (UIT) está a promover uma bolsa para estudos de TIC, um Esquema de Educação para a Juventude (YES – Youth Education Scheme) e um internato para desenvolvimento de competências avançadas em TIC (YIS – Youth Incentive Scheme). As candidaturas ao YES podem ser 12 vezes maiores que para as bolsas. Apenas a Alcatel-Lucent e a Thales Comunications estão a participar na YIS disponibilizando formação, mas tendo em conta o grande número de empresas de TIC presentes em África, algumas delas deverão envolver-se também.12

A UIT está a promover também um projecto para aumentar a sensibilização das comunidades indígenas relativamente às TIC. A Conferencia das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) disponibiliza formação básica para engenheiros e técnicos dos países menos desenvolvidos de África no contexto do projecto “Connect África”. O Lesoto é o primeiro destinatário de um projecto-piloto sendo-lhe atribuídos 220 computadores e software em open source. A CNUCED está igualmente a trabalhar em cursos centrados na biotecnologia e nas TIC. Foram implementados nove cursos entre 2006 e 2008 na China, Egipto, Índia, África do Sul, Tanzânia e Tunísia. Existem 3 vezes mais candidaturas do que lugares disponíveis. (ver caixa 35).

O Banco Mundial e o InfoDev estão a trabalhar com a UIT na elaboração de um Manual de Regulação, para ajudar os funcionários da Agência de Regulação de Pessoal. O Banco Mundial tem trabalhado, desde 2001, com o Centro de Estudos Políticos para o Desenvolvimento (CEPOD), no Senegal, na criação da primeira plataforma francófona de formação em regulação de infra-estruturas tecnológicas. Entre 2001 e 2005, o CEPOD organizou 21 seminários e formou 736 estudantes de 22 países. O Banco Mundial apoiou igualmente um centro de investigação em regulação de infra-estruturas, o Centro de Investigação em Microeconomia e Desenvolvimento (CREMIDE) na Costa do Marfim. Este Centro formou um grande número de economistas que foram posteriormente contratados por operadores e reguladores. Para além disso, existe actualmente um mestrado em Regulação de Telecomunicações, organizado pelo Banco Mundial, a Télécom ParisTech e as autoridades de regulação de França, do Burquina Faso e do Senegal, o qual procura actualizar as competências das agências de regulação, dos ministérios e dos operadores na África francófona.

A Formação de Negócios Africanos

O continente africano é, principalmente, um importador de tecnologias de informação e comunicação. Com a NEPAD tem-se tentado promover um intercâmbio técnico e de inovação através da criação de capacidades baseadas na I&D com software local. O projecto será implementado através do Programa AVOIR (African Virtual Open Initiatives and resources) que opera actualmente no Quénia, Moçambique, Senegal, África do Sul, Tanzânia e Uganda. A UNECA lançou a iniciativa de “Acesso ao Conhecimento Científico em África” (ASKIA) com o objectivo de promover e apoiar o acesso ao conhecimento científico por parte de cientistas africanos, decisores políticos, estudantes e investigadores. Esta iniciativa pretende criar formas de os cientistas africanos contactarem com conhecimentos científicos globais e desenvolverem conhecimentos locais que suportem o crescimento económico e industrial.

A Microsoft abriu o Laboratório de Inovação no Cairo, incluindo tecnologia de ponta. Para promover os valores empresariais e sociais nas culturas locais, foram feitos esforços para medir, analisar e sublinhar as pesquisas na internet feitas em Arábico e digitalizar livros em Arábico, utilizando imagens em vez do reconhecimento óptico de caracteres utilizado pelo alfabeto latim e por outros. O laboratório pretende facilitar a pesquisa e consulta de conteúdos multimédia através de plataformas com conectividade limitada, como por exemplo telefones móveis. Os 3 centros de inovação da Microsoft na África do Sul promovem a inovação de software e auxiliam os criadores de soluções de software livre a testarem os seus produtos na Microsoft, de forma a assegurar a sua compatibilidade. Outros centros de inovação irão ser lançados em Marrocos, na Nigéria, no Uganda e no Ruanda.

Comparada a outras regiões do mundo, a formação de novos negócios em África está na sua fase inicial e as oportunidades de inovação e de ligações empresariais não estão tão desenvolvidas como na Europa de Leste, Ásia Central e América Latina. Existem, porém, algumas iniciativas muito interessantes. O Banco Mundial está a desenvolver a InfoDev’s Bussiness Incubator Initiative em África para trabalhar em mais de 26 ideias, com um enfoque nas micro, pequenas e médias empresas. Esta assistência financeira e técnica visa ajudar os empresários a implementarem as TIC a um nível global. A partilha de conhecimentos é um elemento crucial, promovido em todo o continente africano através da rede Pan-africana de Incubação de Negócios (ANI - pan-African network on business incubation), lançada em 2006. A infoDev dispõe de um Centro de Apoio à Incubação (iDISC – Incubator Support Center), procurando trabalhar em conjunto com a Ásia, Europa de Leste, Ásia Central, América Latina, Caraíbas e o Médio Oriente. Este Centro é uma Plataforma Virtual que procura tecnologia para ajudar os empresários e a criação de novos negócios nos países em desenvolvimento.

No Norte da África, estão a ser desenvolvidas diversas Incubadoras de InfoDev. O Parque de Comunicações de Elgazala é a primeira de 24 incubadoras na Tunísia; o Parque Tecnológico de Casablanca, a Incubadora da Universidade de Al Akhawayan e a Rede de Incubação de Marrocos estão a ser desenvolvidos em território marroquino; e a Biotecnologia e Engenharia Tecnológica na Líbia. Na África Subsaariana, a BusyInternet no Gana foi criada em 2001 e assistiu já à criação de 11 empresas de TIC. Na Nigéria, a Nextzon Business Incubator, primeira incubadora criada pela InfoDev detida e gerida por privados, levou ao surgimento de outras 15 empresas. No Uganda, a Industria de Investigação Industrial disponibiliza formação para empresas rurais que transformam matérias-primas em produtos semi-acabados ou produtos finais. Podem ser encontrados outros exemplos em Angola, no Quénia, em Moçambique, no Ruanda, no Senegal e na África do Sul.

Measuring Africa’s technology progress

Não há dúvidas que África está a fazer-se ouvir no campo da inovação e do desenvolvimento tecnológico e científico. Mas os indicadores são essenciais para a formulação de políticas. A UIT, OCDE, UNCTAD, Instituto de Estatísticas da UNESCO, as Comissões Regionais das NU, o Banco Mundial e a EUROSTAT participaram na definição de indicadores sobre as “TIC para o Desenvolvimento” em 2004. Constituiu uma tentativa importante de comparação das experiências entre diferentes países, mas não tem totalmente em consideração as inovações no continente. O NEPAD vai desenvolver um Indicador Pan-Africano de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTI) e um Observatório africano da Ciência, Tecnologia e Inovação que preparará um African Innovation Outlook. Estes deverão ser desenvolvidos com a OCDE, a Eurostat e a UNESCO. O Conselho Ministerial Africano sobre Ciência e Tecnologia confirmou recentemente a decisão da primeira reunião inter-governamental sobre o ICTI em Maputo (2007) de adoptar os manuais de Frascati e Oslo na recolha de estatísticas em África. Existe um acordo abrangente entre a OCDE, a UE e África sobre a definição de inovação no continente africano.

O Banco Mundial utiliza um indicador sobre o conhecimento composto por parâmetros TIC, educação e inovação, o qual pode ser consultado na Figura 24. Estão em falta quinze países, mas os dados fornecem boas indicações preliminares13. O indicador sobre conhecimento em África fica atrás do Médio Oriente, América Latina, Sudeste Asiático, Pacífico e Europa Ocidental. Os países subsaarianos, em especial os que têm poucos recursos e sem acesso ao mar, são os que registam pior desempenho, sendo seguidos de perto pela Ásia do Sul. A pontuação dos países do Norte de África está entre os países da África Subsaariana e os do Médio Oriente e da América Latina. Enquanto o sub-indicador sobre educação é mais pequeno em todas as regiões em desenvolvimento do que na Europa Ocidental, este elemento é particularmente baixo na África Subsaariana. Este indicador pode não ser a melhor forma de medir a inovação, mas demonstra a escassez de educação na África Subsaariana para construir economias baseadas na inovação.

Theme 2011

Experts from different fields analyse what measures should African governments take in order to engage effectively with emerging economic partners in Africa, such as China, India, Brasil or Turkey.

 

Inquérito às despesas dos fiscais


Jean-Philippe Stijns
, co-author of the "Public Resource Mobilisation" study, highlights Morocco's practices while observing their taxation policies.