Sinais da Elasticidade de Preços dos Telefones Móveis:
O Custo das Alternativas

Gasmi, Ivaldi e Recuero Virto (2008) utilizaram um conjunto de dados transversais da Vodacom sobre 6 936 indivíduos, recolhidos em Maio de 2005 na África do Sul, para desenvolverem um modelo estrutural de procura – e – oferta baseado na especificação multinomial que investiga as comunicações pré-pagas de voz e SMS. As suas constatações revelam uma alta elasticidade de preços num intervalo de -2 a -6, mais alta do que a tipicamente encontrada em países desenvolvidos. Todos os consumidores atribuem a maior valoração às horas de maior tráfego (ou horário de trabalho), mas uma vez que estas horas têm maiores tarifas, a sua procura é bastante mais elástica do que para as horas de menor tráfego (fins de semana e feriados). Com efeito, tanto para os consumidores urbanos como rurais, como para as comunicações em voz ou SMS, a elasticidade dos preços para as horas de menor tráfego é em média -1, enquanto para as horas de maior tráfego é de -3. Na altura da realização do estudo, as tarifas pré-pagas para horário de maior tráfego e comunicações SMS era mais do dobro das aplicadas em horário de menor tráfego.

À primeira vista, os cortes nos preços dos serviços pré-pagos podem ser compensadores tanto para os consumidores como para a empresa (nas horas de pico). Nas redes das zonas rurais, no limite da sua capacidade total, seria necessário verificar se o aumento das receitas é suficiente para cobrir os investimentos em melhorias das estações. Também, esta pesquisa sugere que a redução da disparidade entre economias urbanas e rurais exige investimento nas redes das áreas rurais, uma vez que a utilização nestas regiões parece apoiar as actividades económicas, gerando grande valor e elasticidade relativamente baixa em horário de trabalho. Isto pode explicar-se pelo custo das alternativas em zonas rurais. Um estudo da Vodafone sobre utilizadores de telemóveis na Tanzânia e África do Sul ilustra esta ideia, uma vez que 50 a 70 por cento dos inquiridos afirmaram que os seus telemóveis representavam grandes poupanças em tempo e custos de viagem.

Fonte: Gasmi, F., Ivaldi, M. e L. Recuero Virto (2008), “An Empirical Analysis of Cellular Demand in South Africa,” IDEI Working Papers 531, Institut d’Economie Industrielle (IDEI), Tolosa.

Theme 2011

Experts from different fields analyse what measures should African governments take in order to engage effectively with emerging economic partners in Africa, such as China, India, Brasil or Turkey.

 

Inquérito às despesas dos fiscais


Jean-Philippe Stijns
, co-author of the "Public Resource Mobilisation" study, highlights Morocco's practices while observing their taxation policies.