Operadores móveis aplicam tarifas altas
Os assinantes dos países com escassos recursos das regiões Norte e Subsaarianas de África geram a mais baixa receita média mensal por cliente (ARPU), seguidos de perto pelos clientes dos países da América Latina e Caraíbas (Figura 9). Por contraste, em 2008, os assinantes dos países Subsaarianos ricos em recursos geraram uma ARPU mais elevada, a rondar os 13 USD, relativamente aos países da América Latina, Caraíbas e região da Ásia-Pacífico. A ARPU não é determinada apenas pelos níveis de rendimento, uma vez que a média do PIB per capita na América Latina, Caraíbas e Ásia Pacífico era, em 2007, quase 4 vezes mais elevada que nos países Subsaarianos ricos em recursos. Já que os minutos de utilização são mais ou menos semelhantes entre estas 3 regiões, é provável que a ARPU seja mais alta devido a tarifas mais elevadas. De acordo com a UIT, nos países Africanos ricos em recursos, os preços por 3 minutos de conversação, nas horas de pico de utilização, custam 0.9 USD, comparado com os 0.7 USD na América Latina e nas Caraíbas e com os 0.6 USD na Ásia e Pacífico. Outro dado interessante da figura 9 refere-se ao elevado número de minutos de utilização por assinante no Norte de África, mais do dobro do que nas outras regiões.
Apesar da amostra de países não ser grande, existem evidências (Figura 10) que as despesas de capital e de operacionalidade em África estão abaixo das da América Latina, Caraíbas e Ásia. Simultaneamente, os operadores móveis em África têm um melhor desempenho em termos de liquidez, com receitas mais elevadas que outras regiões. O retorno dos investimentos é atractivo para os investidores em redes africanas, mesmo com a existência de uma competição crescente.
A ascenssão do Operador Móvel Pan-Africano
Nos últimos anos, as redes de telemóveis expandiram-se rapidamente para áreas anteriormente não cobertas. Esta situação foi favorecida pelo facto de empresas como a Orange, Vodacom, Zain, MTN, Moov e Tigo se terem tornado activas em diversos países. A MTN é Sul-africana, a ZAIN e a Moov são propriedade de investidores do Médio Oriente e a Orange, Vodafone e Tigo (Millicom) estão sedeadas na Europa. A Zain e a Tigo estão presentes nas zonas Oriental, Central e Ocidental de África, a Orange está presente nas zonas Oriental e Ocidental, a Moov está principalmente na África Ocidental e a Vodafone na África Austral. As suas estratégias concentram-se em reduzir os preços com vista ao aumento da quota de mercado, numa altura em que o crescimento dos investimentos para a expansão das redes está a abrandar, devido à crise financeira. Um elemento chave da revolução de comunicações “ao estilo africano” tem sido a redução das tarifas de roaming – aplicando custos locais a um utilizador da rede mesmo se esse indivíduo estiver no exterior. A integração regional irá ser beneficiada à medida que estas estratégias se difundirem pelos operadores e levarem, por fim, ao nivelamento dos preços entre países.
Estes 6 operadores representaram, em 2008, 52 por cento do total de assinaturas de telefones móveis em África (Figura 12). A taxa média de crescimento em África tem sido de 41 por cento, mas dois operadores novos, Orange (68 por cento) e Tigo (82 por cento) tiveram melhor desempenho, assim como dois operadores já estabelecidos, Zain (52 por cento) e MTN (60 por cento). A Vodafone e a Zain têm taxas de crescimento mais baixas mas operam em mercados mais amadurecidos.
Apesar da competição entre operadores estar a aumentar, a baixa taxa de penetração sugere a existência de uma margem considerável para um crescimento significativo. A Orange está a dirigir a sua atenção para África depois de ter falhado a oferta de 40 mil milhões de USD para o operador nórdico TeliaSonera. A Orange investiu no Quénia e na Nigéria em 2008, disponibilizando um pacote composto por um serviço móvel, uma rede fixa e serviços de Internet no âmbito do regime unificado de licenças. A Orange espera também cobrir 30 cidades no Níger. Tem uma estratégia de procurar mercados com potencial para gerarem um forte crescimento de receitas, com uma base maior de consumidores. Em 2008, o número de assinantes móveis e as receitas cresceram em África respectivamente 42.5 e 17 por cento, em comparação com os 28 e 8.3 por cento de crescimento mundial do Grupo Orange. Prevê-se que a Tigo tenha um crescimento substancialmente mais baixo em 2009 devido à crise económica. Em 2008, teve um aumento menor de receitas no Senegal, no Chade e no Gana.
Em 2008, a Zain investiu na expansão da sua capacidade de rede e na actualização da sua capacidade de transmissão de dados, particularmente no Gana, Sudão, Malawi, Zâmbia e Nigéria. A maior fatia do seu crescimento vem da Nigéria, que representa 43 por cento dos seus assinantes em toda a África. A Zain poderá basear-se nos conhecimentos que possui sobre redes de terceira geração as quais instalou no Bahrein e no Kuwait. A Vodafone está também a virar-se para o continente africano. Em 2008, o grupo adquiriu 70 por cento da Gana Telecom por 90 mil milhões de USD. A Vodafone está fortemente concentrada na África do Sul que, em 2008, representou cerca de 50 por cento da sua base de consumidores. Em termos de assinantes, a Vodafone - África do Sul é o maior operador móvel em África. Tanto a Zain como a Vodafone têm procurado expandir a sua base de consumidores através da redução de preços. A MTN tem o maior número de assinantes em África e pretende consolidar esta posição fornecendo, à semelhança da Orange, um pacote atractivo composto por três serviços. Em 2008, a MTN adquiriu a Arobase Telecom, o segundo maior operador de rede fixa e também a Afinet, da Costa do Marfim, que fornece serviços de Internet. As maiores bases de assinantes móveis da MTN encontram-se na Nigéria e na África do Sul.
Os operadores com as maiores bases de assinantes em África, como a Vodacom, a Zain e a MTN, são aqueles que dispõem das maiores quotas de mercado nos países onde operam. (Figuras 12 e 13). Estes três operadores têm, cada um, mais de 11 por cento do total de assinantes do continente africano. A Vodacom e a MTN têm individualmente, nos países onde operam, uma quota média de mercado de mais de 50 por cento dos assinantes. A Zain encontra-se logo atrás com 46 por cento da quota de mercado por país. No extremo oposto, a Moov e a Tigo têm ambas um número menor de assinantes, abaixo dos 3 por cento, bem como uma quota média de mercado por país mais baixa, rondando os 20 por cento. A Orange possui uma pequena fatia dos assinantes africanos, mas uma elevada quota de mercado por país. Verifica-se, também, uma relação próxima entre a quota média de mercado de um operador e o número de países onde opera. Os operadores presentes num grande número de países tendem a ter uma maior fatia de assinantes em cada mercado e maiores economias de escala. A única excepção é a Vodafone, que opera num número relativamente reduzido de países.
A Zain procura actualmente mercados potenciais maiores (454 milhões de pessoas em 2007) através da disponibilização de serviços em países que têm um PIB médio per capita mais baixo (282 USD em 2007). A Orange e a MTN estão a concentrar-se em mercados potenciais ligeiramente menores, com um PIB médio per capita de cerca de 450 USD.
A Vodafone tem acesso a um maior mercado potencial do que a Orange, mesmo estando presente em apenas 6 países em comparação com os 14 países onde opera o grupo francês. Todos os países em que a Vodafone opera, excepto o Lesoto, têm populações maiores. A Vodafone concentra-se em países com um PIB médio per capita relativamente alto (452 USD em 2007) apesar de isto não se reflectir na receita média por utilizador nas suas redes, que era, em 2008, de 7.5 USD, em comparação com os 11.2 USD da Zain e os 12.7 USD da MTN. A Vodafone está a implementar uma política agressiva de preços para chegar a agregados familiares com rendimentos menores, uma vez que 90 por cento da sua base de consumidores utilizam serviços pré-pagos. Uma vez que a Zain e a MTN estão em forte competição no Sudão, Uganda, Congo, Nigéria e Zâmbia, é expectável uma queda de preços nestes mercados. A Zain está já a oferecer esquemas de preços inovadores (ver Modelos Inovadores de Negócio) visando aumentar a sua quota de mercado, após ter declarado prejuízos em dois trimestres de 2008. No extremo oposto, a Moov e a Tigo, que apenas estão presentes em 6 e 7 países, respectivamente, concentram-se em países de média dimensão populacional e com um PIB médio per capita de cerca de 270 USD.
O domínio dos telemóveis atinge os operadores de redes fixas
Ao longo da última década, o tráfego telefónico transitou significativamente das comunicações fixas para as móveis. Os telemóveis representam 64 por cento do total de receitas telefónicas e África é a única região do mundo onde as redes móveis superam as fixas. As redes fixas de pequena dimensão estão a sofrer em resultado da sua estrutura de custos. Os custos por minuto das redes móveis estão a diminuir rapidamente, enquanto os custos das redes fixas rivais estão a aumentar à medida que a sua utilização diminui.
As redes de telefones móveis são constituídas por torres de transmissão, que representam até 70 por cento do total de custos de capital. Cada torre de transmissão é composta por sete transceivers. Enquanto o número de transceivers aumenta de forma linear de acordo com o tráfico, a Figura15 mostra como o investimento total de rede por cada transceiver diminui muito rapidamente com o aumento de tráfego.
Em resultado do aumento do volume das comunicações, os preços das chamadas com telemóveis poderão diminuir, se os baixos custos variáveis forem passados para os consumidores. Os actuais custos por minuto de uma chamada móvel são ainda quatro vezes maiores que os das chamadas fixas (Figura 16). Em África, uma queda no preço das chamadas móveis levaria provavelmente a uma subida significativa no tráfego e a cortes adicionais nos custos, enquanto os custos das redes fixas continuarão, previsivelmente, a aumentar. Contudo, tomando em consideração que os países da OCDE, que beneficiam de economias de escala substanciais com altas taxas de penetração, têm preços comparáveis aos dos países africanos, não é claro se os preços das redes móveis em África cairão à medida que as redes se forem desenvolvendo.
Preços e escolhas nas redes nacionais
Em 2007 existiam 508 000 km de infra-estruturas terrestres essenciais na África Subsaariana. Destas, apenas 32 por cento é detida pelos operadores de redes fixas e 68 por cento por operadores móveis. Praticamente todas as infra-estruturas essenciais das comunicações por satélite são utilizadas pelos operadores móveis. Anteriormente, os operadores fixos não cumpriam as exigências dos operadores móveis relativamente à alta capacidade de transmissão, pelo que os operadores móveis criaram as suas próprias redes estruturais terrestres de modo a conectar as suas torres de transmissão ao resto da sua própria rede. Noventa e nove por cento da estrutura de base das redes geridas pelos operadores móveis, na África Subsaariana, é baseada em tecnologia de micro-ondas, que pode ser facilmente actualizada. Apenas 1 por cento é fibra óptica. Em média, a transmissão representa menos de 10 por cento dos custos móveis totais.
Os operadores de rede fixa utilizam tecnologia de fibra óptica em 40 por cento das suas estruturas de rede. Apenas os custos dos equipamentos de transmissão dependem do tráfego, representando menos de 10 por cento do total de custos. Entre 60 e 80 por cento dos custos das redes de fibra óptica são fixos e relacionados com as despesas de instalação dos cabos. Os operadores de rede fixa têm de investir à priori e necessitam, por isso, de financiamentos de longo prazo, uma vez que a escolha pela fibra óptica apenas se considera optimizada quando o volume de tráfego ascende a mais de 2 000 Mbps e passa a ser mais barata do que a tecnologia de micro-ondas. Os operadores móveis apenas investem em capacidade adicional quando as receitas previstas são suficientemente altas para reembolsarem rapidamente o investimento.
A maioria das redes fixas africanas foi projectada apenas para serviços de voz e necessitam actualmente de uma actualização significativa, de modo a poderem suportar outro tipo de dados. Os funcionários que trabalham nos operadores de rede fixa necessitam de ser treinados para a mudança de tecnologia analógica para digital. Alguns pequenos operadores, como a Kasapa no Gana, estão a contratar em outsourcing esta tarefa. A segunda operadora de rede fixa na África do Sul, Neotel, é uma das poucas que dispõe de uma rede 100 por cento digital. Comparativamente com a analógica, a rede digital é entre 30 e 50 por cento menos cara em termos de investimento e 30 por cento menos dispendiosa em termos de custos operacionais. Os operadores de rede fixa tradicionais são por isso penalizados, em comparação com as empresas de redes móveis e as novas empresas do segmento de rede fixa, a não ser que as entidades reguladoras lhes permitam angariar capitais privados e aumentar os preços ao consumidor de modo a cobrirem os custos operacionais e de capital.
Com os operadores de rede fixa a terem dificuldades em África, são ainda comuns as altas tarifas para as estruturas essenciais de rede, em resultado da subsidiação cruzada entre comunicações locais e comunicações de longa distância e internacionais. Apesar das tarifas estarem a mudar, isso resulta principalmente de um aumento das tarifas locais para chamadas vocais (ver Caixa 14). Com efeito, as tarifas de chamadas locais em África estão próximas das praticadas nos países da OCDE. As chamadas de longa distancia e os serviços de Internet (cujo preço deveria ter decrescido) mantêm-se caros. Existe igualmente uma grande diferença de preços entre empresas do mesmo consórcio, como no caso do cabo submarino SAT-3 da África Ocidental, em que os preços de mercado podem variar dos 1 316 USD cobrados pela senegalesa Sonatel, aos 11 000 USD cobrados pela Telecom Sul-africana. Tornar-se-á cada vez mais difícil para os operadores de rede fixa africanos justificarem os altos preços de retalho para ligações nacionais de curta distância, uma vez que as estruturas internacionais vão brevemente oferecer preços generalizados de 500 USD para transportarem tráfego desde o outro lado do mundo. Mesmo com uma capacidade internacional acessível a preços baixos generalizados, os consumidores africanos apenas tirarão benefícios disso se os operadores de rede fixa incorporarem essas baixas tarifas ou utilizarem os seus lucros para expandirem a sua capacidade e melhorarem os seus serviços.
Os preços de mercado elevados têm frequentemente origem em países que permitem a existência de monopólios nacionais de transmissão. Um operador com monopólio de transmissão num país da África Subsaariana pode obter 65 por cento das suas receitas do tráfego internacional. Na Zâmbia, a liberalização do tráfego internacional de transmissão tem sido sucessivamente adiada. Alguns países parecem preferir uma situação de monopólio relativamente a facilidades internacionais, mesmo se isso significar a ausência de novos agentes que poderiam desenvolver os mercados nacionais.
Para manter os benefícios decorrentes do tráfego internacional, nas reuniões da União Internacional de Telecomunicações (UIT) algumas delegações defenderam a criação de um sistema de pagamento “Premium” relativamente à partilha de tráfego internacional3. Na Assembleia Mundial da Standardização de Telecomunicações (AMST) em Outubro de 2008, foi aprovada uma recomendação da UIT-T com o objectivo de analisar se este “premium” deveria ser pago para o tráfego entre operadores de países desenvolvidos e países em desenvolvimento (network externality premium). Este tipo de sistema só é aplicável nos mercados em que existe um monopólio de transmissão e não há incentivos à expansão do acesso à rede. O aumento dos pagamentos internacionais líquidos e do fluxo de tráfego internacional de países desenvolvidos para África sugere que o sistema de pagamento Premium não é necessário (ver caixa 15).
Existe uma grande diferença entre as taxas de intercomunicação das redes fixas para as redes móveis em África. Em 2006, as taxas no Quénia, Benim e África do Sul eram quase 200 por cento mais altas do que no Ruanda, Senegal e Uganda. Estes custos fazem com que os assinantes das redes fixas se sintam cada vez mais atraídos pelas redes móveis, já que estas conseguem evitar estes custos.
Confrontadas com uma competição ainda mais forte por parte dos operadores móveis, muitas das empresas detentoras de redes fixas planeiam oferecer serviços de banda larga de modo a aumentar o seu valor de mercado e atraírem consumidores. Apesar das redes fixas terem uma vantagem comparativa sobre as redes sem fios em termos de capacidade e largura de banda, é questionável se os operadores de rede fixa conseguirão encontrar um mercado suficientemente grande no continente africano.
Modelos de Negócio para rendimentos baixos
Os operadores estão a ser confrontados com a necessidade de surgirem com novas ideias para manterem os serviços comportáveis em termos de custos, numa região dominada por agregados familiares de baixa renda. De acordo com análises efectuadas, em 2006 e 2007, em 16 países da África Subsaariana, pela Research ICT Africa, as pessoas que não possuem telemóvel só serão trazidas para o mercado através de ofertas de chamadas mais baratas4. As pessoas que não possuíam telemóvel ou cartão SIM na Costa de Marfim, Gana, Nigéria e Uganda estavam disponíveis apenas para pagar entre 5 e 10 USD por mês e abaixo de 2 USD na Etiópia.
O mesmo estudo indicou que as pessoas em 7 países não pretendiam gastar mais do que 10 USD por um equipamento telefónico. Apenas 2 países, Costa do Marfim e Namíbia, expressaram a vontade de gastar até 30 USD por telefone. O custo médio nestes países situa-se entre 16 e 27 USD.
Os equipamentos de telefone a baixo custo podem ser facilmente adquiridos no mercado em segunda mão. Mas o estudo indica que uma pequena redução no custo dos equipamentos e serviços poderia originar um crescimento significativo das receitas dos operadores. As tarifas para o tempo de chamada em horas de maior tráfego estão igualmente sob pressão em países como a África do Sul, onde a Virgin Mobile começou recentemente a oferecer aos consumidores as mesmas tarifas fixas em horas de maior e de menor tráfego, para transmissão de dados e SMS. No Quénia, a Zain também começou a praticar as mesmas tarifas em horas de maior e menor tráfego.
A relutância em pagar pelos equipamentos e serviços móveis pode ser compreendida através dos dados de 17 países, relativos às despesas mensais médias dos clientes com comunicações móveis, em percentagem do rendimento mensal disponível (Figura 20). Para os 25 por cento da população com maiores rendimentos na Zâmbia e no Ruanda, esta percentagem excede 40 por cento. Noutros 7 países a percentagem situa-se entre 30 e 40 por cento. Em relação aos 75 por cento com menores rendimentos, as percentagens são maiores – em 6 países era entre 60 e 80 por cento. Isto explica as razões para as taxas de penetração de mercado continuarem baixas – apenas uma pequena fracção dos agregados familiares pode enfrentar o custo destes serviços – e também porque são preferidos os acordos telefónicos pré-pagos.
Em 1993, a Banana Cellular introduziu serviços pré-pagos de telecomunicações móveis nos Estados Unidos. Em 2008, 71 por cento dos assinantes móveis em todo o mundo utilizavam já este tipo de serviço, que em África chega aos 96 por cento. Este serviço por consumo foi igualmente adoptados pelas companhias de água e electricidade, principalmente na África do Sul. Após a instalação do contador, os créditos podem ser comprados por telefone ou internet, sendo disponibilizado a cada utilizador um código. Outras ideias para atrair os agregados familiares de baixa renda incluem contas de clientes com micro pagamentos–que podem utilizar SMS para carregar alguns cêntimos nas suas contas – micro - créditos para equipamentos telefónicos e subscrições através da partilha telefónica.
As mensagens SMS, cujo objectivo do inventor era permitir as comunicações entre o pessoal das operadoras para a existência de uma mensagem vocal, lançou o primeiro serviço comercial em 1993, na Suécia. O MXit, um serviço de mensagens instantâneas, está a adaptar-se aos baixos rendimentos no continente africano, pretendendo expandir pelo continente um serviço em que o custo de cada SMS desce abaixo da fracção de cêntimo (rand sul-africano - ZAR).
Com estes pequenos gastos em chamadas, o continente africano tornou-se um líder na publicidade avançada em comunicações móveis. Na África do Sul, a Vodacom lançou um serviço direccionado para o mercado de classe alta, o “Vodafone Live!”, e dois serviços para consumidores de baixa renda, o “Ad-Me” e o “Please Call Me Back”. O website “Vodafone Live!” tem cerca de 20 milhões de downloads da página por mês e cerca de 1.5 milhões de clientes mensais, tornando-a na maior propriedade digital de publicidade na África do Sul. Para além de “running banner ads”, a Vodacom disponibiliza conteúdos de marca no serviço “Ad-Me”: o assinante fornece uma quantidade limitada de informações pessoais e recebe posteriormente mensagens de publicidade. Em troca pela recepção de publicidade, são oferecidos vales de desconto, concursos grátis, ofertas especiais e lembranças. O serviço com maior sucesso tem sido o “Please Call Me Back”, com 20 milhões de mensagens por dia, num país com 48 milhões de habitantes.
A guerra do roaming
O sistema de roaming permite aos clientes utilizar os telefones móveis fora da própria rede nacional. Isto é possível graças a acordos entre o fornecedor de serviços do cliente e, pelo menos, um fornecedor de rede no país que recebe o cliente. Actualmente, vários operadores em África disponibilizam serviços de roaming grátis. A Celtel, que foi fundada pela sudanesa Mo Ibrahim, lançou a primeira rede sem fronteiras na África Oriental, em Setembro de 2006. No âmbito desta iniciativa, os clientes podem efectuar e receber chamadas e enviar SMS a custos locais, podendo igualmente utilizar cartões de recarregamento adquiridos em quaisquer dos países abrangidos. Os preços ainda não são os mesmos em cada país: por exemplo, custa o dobro ligar a um cliente Celtel na Tanzânia ou enviar um SMS a partir da Tanzânia, em comparação com o mesmo serviço para o Uganda. Mas existem novas iniciativas. A Zain lançou uma estratégia no Quénia com o mesmo preço para chamadas em horas de maior e de menor tráfego e para comunicações locais, para assinantes de todas as redes. A tarifa “Vuka” anula a competição em cerca de 68 por cento para uma chamada local para outra rede. A Zain está a aplicar uma tarifa preferencial nas chamadas internacionais para os assinantes da Zain na África Oriental e uma tarifa ligeiramente menos vantajosa para os assinantes de outras redes na África Oriental.
O modelo da Zain está a ser copiado pelos competidores. Na África Oriental, a Vodacom Tanzânia, a MTN Uganda e a Safaricom do Quénia estabeleceu acordos recíprocos de roaming grátis em 2007. No entanto, já em 2008, os clientes da Vodacom em sistema pré-pago tinham apenas acesso restrito ao roaming. A MTN Ruanda aderiu recentemente ao acordo de roaming, que cobre actualmente 15 milhões de assinantes de 4 redes. A MTN alargou a oferta para disponibilizar um serviço de roaming grátis, a ‘MTN One World’, em todos os 21 países onde está presente em África e no Médio Oriente. Este serviço já teve início nos Camarões, Gana, Nigéria e Benim.
Com estes acordos de roaming grátis, África demonstra inovação tecnológica e empresarial. É também um exemplo de como as operadoras de telecomunicações e as autoridades reguladoras podem trabalhar em conjunto para desenvolver soluções eficazes em termos de custos. As preocupações com a regulação impediram acordos similares na União Europeia, onde por exemplo a Vodafone e a Mannesman pretendiam realizar uma fusão em 2000. Essa fusão foi aprovada na condição de que as partes disponibilizassem tarifas de roaming a operadoras móveis filiadas e não-filiadas. Consequentemente, a nova entidade não tinha qualquer incentivo em oferecer serviços pan-europeus com tarifas de roaming baixas ou nulas. O facto de os operadores africanos estarem presentes num grande número de países e de a intervenção reguladora ser limitada, são factores que têm permitido a expansão destas tarifas de rede pan-africanas.
Telefones com energias renováveis
Os painéis solares são cada vez mais utilizados em África para alimentar as redes de telecomunicações. A Orange tem usado esta via para alargar a cobertura a preços comportáveis para áreas remotas. Os combustíveis tradicionais tinham de ser transportados por camiões, frequentemente através de longas distâncias. Os combustíveis fósseis são caros e não confiáveis , uma vez que podem existir bloqueios quando o fornecimento se esgota. A Orange substituiu a energia tradicional por painéis solares em 200 estações de rádio no continente africano, onde não existe rede eléctrica. Os custos de energia representam até 25 por cento dos custos totais. As estações solares têm dois geradores, um permanente e outro de reserva, não necessitando de ar-condicionado e consumindo muito pouco. As baterias de armazenamento da energia solar podem durar até 4 dias. Estas estações de rádio produzem actualmente excesso de energia durante 11 meses do ano, que é disponibilizada às comunidades locais para recarregarem os telemóveis. Estão planeadas cerca de 1 000 estações de rádio com energia solar no continente africano durante 2009; isto está em linha com o objectivo da Orange ter 25 por cento de energia baseada tecnologia solar até 2015 e de conseguir uma redução de 20 por cento nas emissões de C02 até 2020.
Morocco's example
Jean-Philippe Stijns, co-author of the "Public Resource Mobilisation" study, highlights Morocco's practices while observing their taxation policies.
Useful links
- OECD Development Centre
- OECD
- African Development Bank
- UNECA
- World Bank
- United Nations
- Proparco's magazine
Private Sector and Development
Acesse os estudos de 50 dos 53 países na África. Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Mozambique e São Tomé e Príncipe podem ser acessados em versão portuguesa.














