The China trade is important to Africa but all the other emerging players together outweigh China in importance. Figure 6.6 below shows the shares of Africa’s total trade, exports and imports, with different emerging partners. China only accounts for 38% of trade volume.

Figura 6.6: Comércio total de África com os parceiros emergentes (2009)

O ranking das economias emergentes é muito diferente quando se analisa o investimento directo externo ou o comércio. Por referência à tabela 6.3, entre as potências emergentes, a China representou cerca 10% do IDE para os países seleccionados e esta parcela demonstrou mesmo algum declínio. Em contraste, a Índia cresceu, de 7 para perto dos 17%, nos dois períodos. A nota referente ao Sudão deste relatório observa que a Índia é o mais importante parceiro emergente, depois da China e está a ajudar a resolver estrangulamentos infra-estruturais centrais5. Mas, o que mais se destaca é o IDE proveniente do Médio Oriente – cerca de 58% e em ascensão. O investimento directo não é, porém, a forma preferida de investimento dos parceiros emergentes em África, particularmente da China. Desta forma, a centragem no IDE acarreta o risco de obscurecer uma parte submersa do iceberg do investimento africano.

De uma forma geral, devido à sua importância quantitativa como parceiro comercial e ao número de países em que está envolvida, a China está inquestionavelmente a liderar o caminho das potências emergentes em África. Não só porque está no centro da mudança da riqueza global (OECD, ibid.) mas também porque o seu comportamento e o seu discurso ajudaram a mudar as percepções sobre o continente. A China e as outras potências emergentes não vêem África como o continente «sem esperança» descrito pelo The Economist em 2000, mas sim como um continente de oportunidades e um destino de investimento. Esta atitude está a ter efeitos mesmo nas potências tradicionais, cujo interesse por África está a renascer, com os impressionantes relatos sobre o «leão económico africano», agora pronto a ocupar o seu lugar ao lado do dragão chinês e do tigre indiano, segundo declarações do Banco Mundial (Okonjo-Iweala, 2010) e de um relatório do McKinsey Global Institute, intitulado «Leões em movimento» (Roxburgh et al., 2010). Mesmo o The Economist reviu a sua posição, com um artigo de 2010, «Leões fora da jaula».

O número de países africanos com que as potências emergentes têm comércio é muito variável. A Tabela 6.5 integra o número de países africanos com os quais as potências emergentes têm um comércio total superior a 10 milhões de USD, a preços constantes6. A China, a Índia, a Coreia, o Brasil, a Tailândia, a Turquia e a Indonésia destacam-se com um comércio mais alargado com o continente. As nações emergentes mais pequenas têm laços comerciais muito mais limitados.

Tabela 6.5: Comércio entre países africanos e parceiros emergentes no valor mínimo de 10 milhões de USD anual

 OrdemExportações para ÁfricaImportações de África
20092000200920002009
China122343041
India619312838
Coreia1013152229
Brasil1211101228
Turquia131313924
Tailândia1615141925
Federação Russa176131215
Formosa1914101412
Emirados Árabes Unidos20420417
Singapura22791418
Malásia236151022
Indonésia241091922
Argentina27831017
Arábia Saudita298900
Outros 58 (média)-11.412.4

Da mesma forma, também o número de sectores em que há comércio com os parceiros emergentes varia muito. A Tabela 6.6. detalha o número de sectores em África em relação aos quais os parceiros emergentes têm um comércio total superior a 53 milhões de USD, a preços constantes8. Novamente, a China, a Índia, a Coreia, o Brasil, a Tailândia, a Turquia e a Indonésia destacam-se como tendo a maior variedade de comércio em termos sectoriais. Os actores emergentes mais pequenos tendem a ter comércio num número limitado de sectores.

 

 

Tabela 6.6: Comércio sectorial entre África a os parceiros emergentes com mínimo de 53 milhões de USD anual

 OrdemNúmero de sectores de exportações africanasNúmero de sectores de importações africanas
20092000200920002009
China18967
India67758
Coreia106446
Brasil124669
Turquia136757
Tailândia164456
Federação Russa172448
Formosa194344
Emirados Árabes Unidos201606
Singapura224457
Malásia232447
Indonésia244356
Argentina271034
Arábia Saudita2944--
Outros 58 (média)-0.20.40.30.6

Como McCormick (no prelo) sublinha, a maior atenção às mudanças económicas em África concentra-se na China, na Índia e no Brasil. Mas, os observadores estão crescentemente a reconhecer a contribuição, para África e para a economia global, de outros parceiros emergentes.

Se existe consenso em relação à importância das maiores nações, já há pouco acordo quando se passa para o nível seguinte de parceiros emergentes, talvez porque apenas os gigantes globais têm um impacto mais vasto. Para além destes, os outros emergentes são importantes apenas em números limitados de países e sectores. Scott et al. (2010) analisa as potências médias emergentes que também têm laços significativos com África. Aplicando estes critérios aos países da Tabela 6.5., a Coreia e a Turquia emergem como candidatos óbvios para a segunda linha de parceiros emergentes de África, que tendem a concentrar-se em sectores mais específicos, num número limitado de países.

Esta diversidade de parcerias é uma enorme oportunidade para África. Cada vaga de países que se interessa pelo continente traz consigo uma nova gama de produtos, de bens de capital, de tecnologias, de know-how e de experiência de desenvolvimento. Cada um tem novas oportunidades para o comércio de bens, conhecimento e modelos.

A China tem uma vantagem comparativa em desenvolvimento infra-estrutural (Foster et al., 2009), a Índia em conhecimento, áreas intensivas em competências e serviços (Sidiropoulos, 2004; Kragelund, 2008), e o Brasil em agricultura e transformação agro-alimentar (White, 2010; Ejigu, 2008). As necessidades africanas são talvez mais evidentes em infra-estruturas, pelo que os decisores políticos e os analistas se centraram na China. No entanto, o desenvolvimento africano precisa de ir mais além. Como sublinharam as Perspectivas Económicas em África de 2009, África pode usar as tecnologias de informação para ultrapassar alguns estrangulamentos em infra-estruturas. As necessidades, e o potencial, de África em termos de agricultura – especialmente para a segurança alimentar e o emprego – significam que novos parceiros, como o Brasil, estão bem posicionados para ajudar o continente a seguir em frente.