É fácil subestimar a importância das novas forças económicas para África. As pessoas conhecem a China, a Índia, e resto são elementos da paisagem económica africana, mas será que conhecem a magnitude desta importância, particularmente em termos comerciais?

A Tabela 6.2 mostra a evolução das exportações, importações e do total do comércio entre África e os parceiros emergentes, na última década. Como tendência clara, mostra que o comércio total africano mais do que duplicou, em termos nominais, de menos de 247 mil milhões de USD para 629 mil milhões.

Tabela 6.2: Parcela dos parceiros tradicionais e emergentes nas importações, exportações e comércio total de África 2000 e 2009 (em percentagem)

 20092000
ComércioExportaçõesImportaçõesComércioExportaçõesImportações
Total parceiros tradicionais63.567.6597778.375.4
UE2544.34345.653.551.356.4
Outros parceiros tradicionais6.16.16.17.56.68.8
EUA13.118.47.316.120.410.1
Total parceiros emergentes36.532.4412321.724.6
China13.913.114.74.74.64.9
India5.1642.32.42.1
Coreia2.61.342.62.23.1
Brasil2.52.42.71.721.3
Turquia2.41.63.11.61.91.3
Tailândia1.10.420.80.61.2
Federação Russa10.51.60.60.31
Formosa0.91.10.71.92.31.3
Emirados Árabes Unidos0.91.30.50.20.20.1
Singapura0.80.21.410.51.7
Malásia0.70.510.50.30.7
Indonesia0.70.60.80.80.61
Argentina0.50.10.90.60.31
Arabia Saudita0.40.700.40.60
Outros países (58)32.63.53.32.93.8
Total100100100100100100
Valor total (milhares de milhões de USD)673.4350.8322.5246.4142.4104

Outras tendências estão igualmente a emergir. Primeiro, a parcela do volume de comércio com as potências emergentes cresceu, de aproximadamente 23% para 39%. No mesmo período, a parte dos parceiros tradicionais encolheu, de cerca de 77% para 62% (Figura 6.3). 

Figura 6.3: Peso dos parceiros emergentes e traditionais no comércio com África (em percentagem)

Em segundo lugar, os volumes comerciais de África com os parceiros emergentes cresceram de forma significativa entre 2000 e 2009. A China representava menos de 5% do comércio africano no início da década – um valor que triplicou no final da década, chegando quase aos 16%. A parcela dos Estados Unidos, em 2000, era o triplo da da China, mas em 2009 a China já tinha ultrapassado aquele país. Em 2000, todos os parceiros, juntos, representavam menos de metade do volume de comércio africano com a União Europeia. Em 2009, as parcelas já estavam quase iguais e, em termos de tendências actuais, deverão em pouco tempo ultrapassar a União Europeia. É necessário, no entanto, recordar que os dados da Tabela 6.2 e da Figura 6.3 se referem ao comércio de mercadorias. Se se incluir o comércio de serviços de África com os parceiros tradicionais, a sua percentagem total do comércio é maior do que o reflectido pelos dados do comércio de mercadorias.

Figura 6.4: Comércio total de África com os seus perceiros tradicionais