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Empreendedorismo e industrialização

aeo2017

Promover a industrialização ocupa lugar cimeiro nas agendas políticas dos governos africanos. O seu objetivo consiste sobretudo em criar novas indústrias de mão-de-obra intensiva. Os países africanos já antes procuraram o caminho da industrialização, mas muitas vezes sem grande sucesso São, portanto, necessárias novas estratégias de industrialização. Devem fazer um balanço dos erros cometidos, considerando, simultaneamente, as novas oportunidades e desafios colocados pela quarta revolução industrial e pelo atual ambiente económico global. Ainda que continuando a explorar as potencialidades da indústria transformadora, as estratégias de industrialização devem também visar outros setores nos quais as economias africanas apresentam vantagens  comparativas latentes. Ainda mais importante é que as estratégias de industrialização promovam um empreendedorismo de elevado crescimento. A maioria dos empresários em fase inicial trabalha em setores de baixa produtividade que geralmente exigem níveis de qualificação reduzidos e colocam poucas barreiras à entrada no mercado. Apesar de as pequenas empresas jovens tenderem a criar grande parte dos empregos, poucas crescem depressa. Os empresários mais qualificados e altamente motivados apresentam maiores potencialidades de crescimento e de contribuição para esta nova vaga de industrialização do que os demais.

Os países africanos estão a fazendo esforços consideráveis para desenvolver uma visão para a industrialização. Atualmente, cerca de metade dos países africanos dispõem de uma estratégia de industrialização, muitas das quais destinadas a melhorar o empreendedorismo. Mas poucas se referem realmente ao papel das empresas com elevado potencial de crescimento, sobretudo pequenas e médias empresas jovens. As estratégias têm de visar mais eficazmente tais empresas, que são importantes para a industrialização. Aquando da conceção de estratégias, os governos devem considerar certas políticas industriais e aprender com as experiências do passado.

A implementação de estratégias de industrialização ainda constitui um desafio para muitos países. Estratégias bem sucedidas exigem uma forte liderança política e o empenho total de todos os níveis de governo. A participação dos governos subnacionais pode ajudar a criar políticas que melhor se adaptem às necessidades locais das empresas, desde que os governos tenham as capacidades necessárias e possam assegurar transparência. A coordenação entre organismos governamentais e a participação do setor privado no processo de decisão política pode ajudar a implementar as estratégias de industrialização de forma mais eficaz.

Por último, a monitorização das políticas e a avaliação de impacto são cruciais para tornar as estratégias de industrialização mais eficientes. Este tipo de avaliação pode servir para recompensar as instituições com bom desempenho e para rever políticas, mas são necessários dados fiáveis.

É necessária uma abordagem política holística de modo a reforçar o empreendedorismo para impulsionar a industrialização africana e a enfrentar a variedade de restrições. Este capítulo concentra-se em três áreas políticas de especial importância. A primeira consiste em melhorar as competências dos empresários e dos trabalhadores em geral, simultaneamente as fazendo responder às necessidades do mercado de trabalho. Embora os governos possam promover a aprendizagem, é necessário envolver o setor privado. A segunda área política relaciona-se com o agrupamento de empresas em clusters empresariais, tais como parques industriais e zonas económicas especiais. Os clusters podem dar apoio as start-ups e aumentar a produtividade e o crescimento das empresas já existentes, pressupondo que existem infraestruturas adequadas disponíveis. A terceira área política importante consiste em melhorar o acesso das empresas a fundos. Os mercados financeiros devem poder conceder empréstimos a preços acessíveis e fornecer instrumentos de financiamento mais variados e inovadores às empresas africanas, incluindo as pequenas e médias empresas.

Comunicado de imprensa

Realizar o potencial dos empreendedores africanos para acelerar a transformação industrial de África, é o que afirma o relatório Perspetivas Económicas em África 2017

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